O “mico” Zelaya

O “mico” Zelaya

João Bosco Rabello

03 de dezembro de 2009 | 22h49

O processo eleitoral em Honduras está consolidado à revelia de Zelaya e do Brasil e com apoio da comunidade internacional. A posição brasileira no episódio rendeu ao país, além de um inquilino incômodo, um mico para a nossa diplomacia. O novo presidente, Porfírio Lobo, está lá, eleito com o reconhecimento de todas as instituições de seu país, que jamais estiveram paralisadas ou sob intervenção durante “o golpe” da direita hondurenha.

Fotos: Wilson Pedrosa/AE

Manuel Zelaya tentou um último movimento que acabou tendo efeito bumerangue entre os hondurenhos. Fotos: Wilson Pedrosa/AE

É provável que os defensores dessa posição brasileira argumentem com o alto índice de abstenção (deve ficar em torno dos 50%), que seria uma prova incontestável da insatisfação popular com a condução dada ao processo. Mas, esse índice é histórico e o próprio Zelaya foi eleito com 25% dos votos, num universo de 50% dos votantes. Em Honduras não há sanção para quem não votar, o que torna o sistema facultativo na prática.

Zelaya tentou um último movimento que acabou tendo efeito bumerangue: exortou os 15 mil candidatos às eleições gerais a boicotarem o pleito, mas apenas 0,5% seguiram suas orientações. As eleições para a Assembléia Nacional (unicameral), 128 prefeituras e para presidente e vice-presidente, transcorreram sem maiores problemas.

Michelleti, acusado de golpista, deixa o cargo no prazo constitucional, com eleições livres. Todas as instituições hondurenhas, incluindo a Corte Superior de Justiça (o STF de lá), consideram que Zelaya deu causa constitucional à sua deposição.

“Esperamos que em algum momento ele próprio queira sair, mas não forçaremos nada”, diz Celso Amorim

"Esperamos que em algum momento ele próprio queira sair, mas não forçaremos nada", diz o chanceler Celso Amorim

O Brasil mantém uma postura hostil a um país que nunca esteve na sua zona de influência, com o qual tem relações comerciais insignificantes, e se coloca na contramão dos mais importantes atores envolvidos no contexto, que já anteciparam o seu reconhecimento ao processo eleitoral e à legitimidade do novo presidente.

Com relação a Zelaya, faz parte agora  da história, de final bizarro. O Brasil não sabe o que fazer em relação a ele, como reconhece o próprio chanceler Celso Amorim. “Esperamos que em algum momento ele próprio queira sair, mas não forçaremos nada”.

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