Governo do Paraná estacionou na contramão

João Bosco Rabello

10 Dezembro 2013 | 12h58

A participação de um superintendente do governo paranaense no conflito entre as torcidas de Vasco e Atlético, em Joinville, é a certidão pública da culpa maior do Estado sobre os demais atores responsáveis pela briga coletiva, quase tragédia.

Não faltam leis, já se sabia, da omissão das autoridades, também, mas o envolvimento direto de quem deveria zelar pela tranquilidade, é cena exemplar registrada para sempre.

O silêncio do governo paranaense é eloquente em relação ao superintendente – pasmem!-, de órgão vinculado à Secretaria Estadual de Turismo. Se para este a punição ainda não chegou, o que indica, no mínimo, hesitação do governo estadual, como aplicá-la aos demais?

É um caso que impunha demissão e abertura de processo por iniciativa do governador do Estado – ninguém mais, ninguém menos -, no minuto seguinte à divulgação das cenas em que o funcionário de seu governo é identificado.

A omissão do governo é mais escandalosa que as falhas que deram causa à selvageria no estádio. É agravada pela mobilização geral que o conflito provocou, exibe indiferença da autoridade pública com a população. Falta com o respeito e o perde simultaneamente.

Não há dúvida: o ex-vereador Juliano Borghetti estava lá nas arquibancadas, vestido com o uniforme do seu time a demonstrar que nas horas vagas se ocupa da promoção do vandalismo – o mais eficiente recurso para espantar aqueles que sua secretaria deveria atrair – os turistas.

Borghetti ainda nega a participação. “Não agredi e nem fui agredido”, diz, embora as imagens o mostrem em meio à pancadaria. Se sua declaração tem para seus superiores mais credibilidade que as imagens, o delegado que tem sob sua guarda os torcedores presos em flagrante, está autorizado a soltá-los.

O ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, com razão aponta a impunidade como causa direta da continuidade dos conflitos, não só nos estádios, mas nas ruas, e da insuficiência das medidas e estruturas postas a serviço da segurança dos cidadãos.

Em que pesem as ressalvas que relativizam a tese do ministro – como o impedimento para a polícia atuar dentro dos estádios -, o diagnóstico continua válido.

Note-se que Borghetti é autor de legislação municipal que impôs a obrigatoriedade do cadastramento dos torcedores no ato de compra do ingresso para a partida, uma medida destinada a identificar potenciais vândalos e cuja limitação a tecnologia vem suprindo em alguma medida.

É no fim da impunidade, que o governo do Paraná passa a patrocinar se permanecer omisso em relação a Borghetti, que deve estar o foco das autoridades  nacionais. As demais medidas como perda de mando de campo, portões fechados e afins, não perturbam os clubes, não os tiram da zona de conforto.