O fator Marina

João Bosco Rabello

06 de outubro de 2014 | 19h19

Os primeiros movimentos após o primeiro turno indicam o apoio de Marina Silva ao candidato do PSDB, Aécio Neves, não obstante a divisão do PSB em relação ao tema, do que é a ponta mais visível o presidente em exercício da legenda, Roberto Amaral.

Amaral impôs a eleição interna no PSB para ser confirmado na presidência do partido, que exerce interinamente desde a morte de Eduardo Campos.

Seu movimento nesse sentido, em plena disputa do primeiro turno, foi interpretada como uma tentativa de se investir da autoridade do cargo para conduzir as negociações na direção do PT em caso de derrota de Marina Silva, ou de fazer a ponte com a antiga legenda da ex-senadora em caso de vitória sobre Dilma Rousseff.

Com a afirmação do primeiro cenário, de derrota de Marina, ampliou-se a desconfiança de que Amaral se postará a favor de um realinhamento com o PT , na contramão do voto majoritário da ex-senadora que estima-se majoritariamente antipetista, na proporção de 60%, segundo apurou o instituto Datafolha na sexta-feira anterior à votação.

Essa leitura foi reforçada pela declaração do ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria Geral da Presidência, de que já conversou com Amaral e que obteve deste um pedido de tempo para conduzir as conversas com Marina na direção do PT.

Hoje, Amaral já projeta um apoio crítico se for voto vencido no partido contra o apoio ao PSDB. Diz ele que, “às vezes, o reacionário serve de avanço”, em menção óbvia a Aécio Neves. Certamente, o presidente do PSB antevê o apoio não só de Marina ao PSDB, mas também de Renata Campos, viúva do ex-governador, e cuida de construir a justificativa para o eleitor socialista e para o próprio PT.

O apoio de Marina pode consolidar a transferência da maioria de seus eleitores do primeiro turno, embora a lógica já indique que essa migração se dará naturalmente para o PSDB, por se tratar majoritariamente de um eleitor antipetista que preferia caminhar com Marina, mas que tem em Aécio seu Plano B.

Segundo o levantamento do Datafolha, um contingente de 24% desse eleitorado de Marina no primeiro turno, volta para a candidatura petista. Trata-se, em tese, de u m eleitor que gostaria de ver a alternância no poder, mas não em favor dos tucanos e, frustrado no primeiro turno, realinha-se com a candidatura governista.

É importante para Aécio a declaração de voto de Marina para conciliar com a de Renata Campos, ajudando-o a reverter a inferioridade em Pernambuco, onde só teve 6% da votação. O Estado poderia compensar a perda da Bahia, onde a vitória de Rui Costa (PT) no primeiro turno desmentiu as pesquisas que indicavam esse cenário, só que em favor do candidato do DEM, Paulo Souto, aliado de Aécio.

Já a presidente Dilma Rousseff precisará investir mais energia nas regiões sul e sudeste, de colégios eleitorais mais densos, onde está em nítida desvantagem em relação ao seu adversário, especialmente em São Paulo, Paraná e Santa Catarina, com o primeiro podendo fazer a diferença eleitoral, não só pela quantidade de eleitores, mas pela distância que a separa do PSDB, quase de dois por um.

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