Novo vídeo insere governo Roriz no cenário de corrupção do DF

João Bosco Rabello

04 de março de 2011 | 14h40

O vídeo inédito apreendido pelo Ministério Público, com a deputada federal Jaqueline Roriz (PMN-DF), e o marido, Manoel Neto, recebendo R$ 50 mil das mãos do ex-secretário de Relações Institucionais do Distrito Federal, Durval Barbosa, é a primeira bomba a estourar no colo do ex-governador Joaquim Roriz, pai da deputada e padrinho político de Durval.

O vídeo, ao qual o Estado teve acesso e que pode ser visto no portal Estadão.com.br, foi gravado na sala de Durval Barbosa, na campanha eleitoral de 2006, e insere Roriz nas investigações sobre corrupção no Distrito Federal, que desaguaram na deposição e prisão de seu sucessor, José Roberto Arruda.

Durval começou a entregar o que sabe – e sabe muito – sobre a corrupção no governo Roriz depois de informado pelo MP que apenas o governo Arruda não lhe garantiria os benefícios da delação premiada.

Fator decisivo para desmantelar o governo Arruda, o delegado vinha poupando o padrinho político que, em sua última gestão, o nomeou para presidente da Codeplan – Companhia de Desenvolvimento do DF – principal foco de desvio de dinheiro público e origem do chamado “mensalão do DEM”, apesar de suprapartidário.

Durval responde a processos pela sua participação no esquema à época do governo Roriz e o que a Polícia Federal apurou já seria suficiente para que estivesse preso, não fosse o acordo da delação premiada. Mas Durval se recusava sistematicamente a denunciar a corrupção na gestão Roriz.

A primeira digital de Roriz no esquema de corrupção na Capital, projeta um efeito dominó de abrangência ainda não dimensionada, mas com potencial para um estrago significativo no universo político local.

A depender da reação do ex-governador, o esquema pode ter uma visibilidade inédita, envolvendo políticos, autoridades do Executivo e Judiciário, e empresários, na teia de interesses movidos a dinheiro público na última década em Brasília.