Novo bloco ocupa espaço anterior de Campos

João Bosco Rabello

07 de novembro de 2013 | 15h30

Minimizar a importância de ocupar um ministério no governo é discurso obrigatório a todo novo partido que já nasce como linha auxiliar, ou de legendas que se fundem em bloco no Congresso para ampliar o apoio ao Planalto e, ao mesmo tempo, seu poder de barganha no jogo legislativo.

O novo bloco anunciado ontem pelo Pros e pelo PP não foge à regra: cumpre o ritual clássico da formação de blocos, mas neste caso, a ligação direta do primeiro com o governador do Ceará, Cid Gomes, e seu irmão e secretário de Saúde, Ciro, dá ao movimento caráter de complemento à reação contra o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, desde que consolidou sua candidatura à presidência ano que vem.

Como força parlamentar é a terceira na Casa, com 57 parlamentares, o que supre com folga a perda numérica representada pela saída do PSB da base aliada. Menos apenas que PT e PMDB e maior que o PSD do ex-prefeito Gilberto Kassab, garantirá a permanência do PP na estrutura ministerial e abrirá espaço ao Pros.

 

De pronto, o Pros deve legitimar  a preservação do controle da Secretaria de Portos pelos irmãos Gomes, como já era quando pertenciam ao PSB, e ainda ampliar o espaço do Pros no primeiro escalão. Assim, Cid e Ciro assume o  protagonismo antes exercido pelo governador de Pernambuco na base de sustentação de Dilma, correspondendo com a oposição a Campos no Ceará em 2014.

 

Com a campanha já em curso, e sua formalização a partir de abril de 2014, esse não é o momento em que a cobiça por ministérios se torna prioritária. Mais importante é contar com o apoio federal nas eleições, porque na fase oficial e legar da campanha já não se poderá capitalizar ações de governo, por força da legislação eleitoral.

 

O momento é de garantir espaço futuro, em caso de reeleição de Dilma, o que faz do apoio a presidente agora um risco e um trunfo: a aposta na sua vitória é também uma aposta na recuperação da economia que, se ocorrer e mantiver o favoritismo da candidata oficial, fará o apoio de hoje virar moeda forte no próximo governo.

 

É nesse estágio do processo que expressões como “lealdade”  e “gratidão” se multiplicam  nas manifestações de líderes e candidatos. O apoio vira promissória a ser resgatada após a vitória, com a qual contam desde já. É a aposta indispensável na política que,  frustrada, leva à reorganização partidária e à recomposição de forças após as eleições.

 

Consta que a formação do bloco teve o aval da presidente Dilma – senão sua iniciativa ou, pelo menos, estímulo. Faz sentido e faz parte do jogo, assim como também é do processo o aumento dos compromissos políticos do governo, cuja base fica cada vez maior, mesmo quando perde um partido – como ocorreu com o PSB -, e compensa a perda atraindo um maior.

 

Esse amplo arco de alianças, somado à inevitável conta que virá em 2015 ( na visão otimista do governo não antes) autoriza a dedução de que Dilma luta por um segundo mandato que tem tudo para ser pior que o primeiro. No caso de não se reeleger, a pesada herança ficará para o vitorioso. Possivelmente a razão para que o ex-presidente Lula tenha admitido voltar … em2018.

 

 

 

 

 

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