Novas fitas e denúncias agravam situação de Tuma Jr.

João Bosco Rabello

08 Maio 2010 | 12h30

O governo comete um grande equívoco ao fixar como parâmetro para demissões de autoridades a comprovação de crime.

Um crime produz consequências além da exoneração – desde o processo judicial até a pena estabelecida pelo juiz.

Antes desse estágio existe o comportamento imposto pelo cargo, o decoro que o Congresso cuidou de desmoralizar em sucessivos escândalos envolvendo políticos.

Não há julgamento e nem condenação antecipada do secretário Nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, como reclama o próprio.

Há de sua parte a demonstração inequívoca de promiscuidade no exercício da função.

A desenvoltura com que negocia com um mafioso condenado por contrabando é mais do que suficiente para que ele próprio tome a iniciativa de pegar o boné.

O episódio vai tomando a forma de tantos outros em que os protagonistas de escândalos negam imagens e gravações e se dizem vítimas da mídia.

Quanto mais negam, mais evidências surgem comprovando as denúncias.

Hoje, o Estadão traz mais uma matéria do repórter Rodrigo Rangel que agrava a situação de Tuma Júnior.

E novas gravações telefônicas da Polícia Federal comprometedoras.

A principal delas flagra Tuma Jr. pedindo para livrar um político detido ao embarcar para o exterior com US$ 160 mil não declarados.

A reportagem completa está no jornal de hoje e no portal Estadão.com.br.

Confira aqui as transcrições de diálogos entre Tuma Jr. e subordinados.

28/06/2009

16h01min09seg

Ouça o diálogo

Logo após o registro de um flagrante no aeroporto de Guarulhos, com prisão e apreensão de US$ 160 mil, Paulo Guilherme Mello, assessor de Romeu Tuma Jr., é procurado por Francisco Teocharis Jr, o ‘Grego’. Começa uma operação, com participação de Tuma Jr., para tentar reverter o flagrante

Grego – Deixa eu falar uma coisa! É… o negócio é o seguinte Guilherme! É… então aguarda um pouquinho que eu vou conversar com a pessoa que quem tá aqui falando aqui é o advogado dele que é amigo do homem que é advogado! E (inaudível) a serviço entendeu? Então eu quero saber… eu vou falar pra ele ver se ele quer que você vá até lá, entendeu? Se há necessidade de você sair de casa!

Mello – Tá bom! eu vou tentar mais um pouco ver se o Tião atende, porque eu tô ligando daqui da casa da minha mãe e não pega o… direito! Eu não sei o que acontece com o telefone (inaudível)

Grego – Entendeu? Porque daí é o seguinte! qualquer coisa cê… pra passar no posto lá!

Mello – Mas de qualquer forma o Grego… rolando a situação o cara não tá mais lá! Se foi cana, entendeu? Eu tô achando que tem mais coisa! Só por evasão de divisa não ia enfiar um flagrante nele! Acho que não! Não sei! Só se mudou a lei!

29/06/2009

22h21min21seg

Ouça o diálogo

Tuma Jr. fala com seu assessor, Paulo Mello, sobre a apreensão dos dólares em Guarulhos. Mello fala para o chefe que, quando foi procurado por Grego, já não dava para fazer mais nada. Tuma lamenta e diz que o doutor, envolvido no caso, era “aquele esquema”

Mello – Oh, Romeu, que m. é essa aí do negócio do Grego? Cê não… cê não me falou nada, cara. Agora, ele tava delirando, né, com a estória. Ele não entende como é que funciona.

Tuma Jr. – O cara lá era o…o doutor lá era aquele esquema, entendeu? Entendeu? Fala hoje lá com aquela autorid.., com aquela pessoa lá e…pra ver se resolvia aquela parada, mas o Grego não sabe. O cliente do doutor lá tava empepinando, entendeu?

Mello – Não, isso eu sei Romeu, mas é…você é delegado. O negócio já…o corpo já perecia há mais de doze horas, mais de doze horas, quase dezoito horas quando me trouxeram a informação, entendeu? Os destinos já estavam consumados.

Tuma Jr. – É, paciência, né? Paciência. Fica frio que “campei” aqui em Brasília.

(…)

Tuma Jr. – Mas tive um resultado positivo. Mas falei pra ele: “Muito tarde, mas vou chamar Guilherme”. Eu chamei no rádio, mas essa p. não atendia. Mas tudo bem, né?

(…)

Mello – Eu liguei pro Grego, quando me falou eu falei “Grego, primeiro que acho que tem boi na linha, segundo, pelo tempo que você… da ocorrência pra você tá me acionando agora, o negócio já… já tá consagrado. Mas aí eu fui atrás, eu liguei pra “x”, “y”, “z”, ali e tal e os caras falaram “Esquece”. Já tá e já tá com via de…guia de encaminhamento.

Tuma Jr. – É, o corpo já tava putrefato.

(…)

Mello – É, paciência, mas tudo bem. Hoje, pelo menos tava o Relê tava lá no aeroporto, eu mandei…eu passei a informação pra ele pra pessoa procurar o Relê lá pra obter algum privilégio, né, alguma coisa que…alguma…conforto pelo menos lá pro amigo dele, né.

30/06/2009

09h14min21seg

Ouça o diálogo

Mello liga para a delegacia da PF em Guarulhos e conversa com a uma policial identificada como Regiane. Diz que Tuma Jr. queria informações sobre o flagrante. Tuma, diz ele, precisava saber “se tinha parlamentar no meio”

Regiane – Então, e os seus amigos saíram ontem. Os seus não, quer dizer, as pessoas as quais você queria informação, né?

Mello – Foram pro hotel?

Regiane – Não, não foram pro hotel não, foram pra casa. Era uma família de sete pessoas, inclusive a filha do ex-prefeito do Guarujá, cuja mãe é deputada. (…) Eles tavam tentando ir pra Dubai com aproximadamente cento e sessenta mil dólares.

Mello – P., é turismo isso?

(…)

Mello – Na verdade eu quero que se f. a família, só… eu queria é dar informação pro meu chefe. Porque se tinha parlamentar no meio, alguém… alguém lá em Brasília consultou ele, né? Ele só queria informação, entendeu, pra dar notícia correta, porque fica aquele tumulto, né?

(…)

Regiane – Pois é, meu bem, mas felizmente agora eu to conversando com você com mais tranqüilidade porque ontem disse que o que ligou de colega, o que ligou de político, o que veio de gente querendo saber de informações, a gente não podia falar nada, né?

Mello – Não, mas tá ótimo. Eu acho que ontem o Romeu não… ligou só uma vez a respeito, de manhã, acho que depois ele obteve a informação de outra forma.

Regiane – É. Veio o Arnaldo Faria de Sá no final da tarde, né, veio ele. Mas tá tudo bem. E você, tá bem?

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