Na ONU, um país tão próspero quanto fictício

João Bosco Rabello

25 de setembro de 2014 | 17h32

 

Mais grave que o uso da tribuna internacional da Organização das Nações Unidas (ONU) como palanque para mensagens ao eleitorado brasileiro, é o conteúdo que a presidente-candidata Dilma Rousseff gerou para narrar as realizações de seu governo.

Dilma descreveu ao maior fórum mundial dos países o mesmo Brasil que levou à piada de campanha em que o sonho de consumo do contribuinte é “morar na propaganda do PT”. Para dentro, pode ser que o discurso atenda ao objetivo de sedução a que se propõe, mas para fora é um desastre.

Os olhos externos voltados para o Brasil são muito mais apurados que os internos, sabem discernir sobre o que se passa no país, principalmente do ponto de vista econômico, em que a narrativa de redução da desigualdade, combate à corrupção, solidez fiscal, inflação sob controle e um resultado positivo diante de condições externas adversas, é sabidamente falso.

A imagem do governo brasileiro junto aos investidores é de uma gestão intervencionista, errática, ideológica e que precisa recorrer à maquiagem dos números para fechar uma conta, ainda assim, no limite do tolerável. Por isso os investimentos não chegam e essa realidade não se muda com discurso.

Ao contrário, ela é agravada pela desenvoltura com que a presidente da República vende a ideia de um país próspero cujo crescimento está projetado para 0,2% este ano e abaixo de 1,5% em 2015, segundo a Fundação Getúlio Vargas.

O Brasil fica mais distante da meta de ampliar seu prestígio internacional, notadamente a busca de um lugar no Conselho de Segurança da ONU, com a fotografia retocada feita por Dilma. No cenário externo, o rigor que não existe no interno, é real como as contas do país sem a metodologia Arno Augustin.

Também questionam os analistas políticos a eficácia de usar a ONU para um discurso eleitoral direcionado ao eleitor brasileiro. O raciocínio é simples: o eleitor sensível a esse tipo de estratégia já apoia Dilma – ele é de mais baixa renda, de menor consumo de informação qualificada e mais carente de ações assistencialistas de governo.

Já o eleitorado que a presidente precisa conquistar, está situado no sul e sudeste do país, é mais informado, de maior renda e mais sofisticado politicamente. Não é presa fácil de truques básicos e será preciso mais que o discurso na tribuna da ONU para impressioná-lo.

O dado mais realista que se contrapõe ao país do programa do PT, versão utilizada por Dilma na ONU, é o que mostra o agravamento do pessimismo do mercado financeiro em relação aos rumos da economia.

Para os agentes desse mercado, se o país crescer muito, será na ordem de 0,3%.

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