Mudar tudo, para não mudar nada

Mudar tudo, para não mudar nada

João Bosco Rabello

18 de dezembro de 2009 | 12h18

Por R$ 250 mil,  o senador José Sarney (PMDB-AP), tirou o Senado – e a si mesmo – do foco de denúncias que maculou a Casa durante quase todo o ano. Esse foi o valor contratado à Fundação Getúlio Vargas para redigir uma proposta de reforma administrativa que não saiu do papel, mas cumpriu o objetivo de simular mudanças profundas capazes de moralizar o Senado. Saiu barato, afinal os recursos são públicos.  O mesmo não se aplica ao contribuinte, cujo ônus vai além do pagamento feito à FGV.

Foto: Celso Junior/AE

Sarney consolidou sua sobrevivência com o benefício da censura prévia judicial.Foto: Celso Junior/AE

A velha estrutura comprometida com a edição de mais de mil atos secretos continuará a produzir seu custo público, “desfalcada” apenas do único diretor punido, o ex- de Recursos humanos, João Paulo Zoghbi, que usava sua babá, de 83 anos, como “laranja” numa empresa beneficiária dos empréstimos consignados autorizados em valores acima dos 30% do salário do servidor, como manda a regra.

Zoghbi foi demitido, mas o mentor do sistema, Agaciel Maia, continua. Os servidores que se endividaram acima de sua capacidade de pagamento –  700 , nas contas do Senado -, tiveram ontem seu problema resolvido com ato da Mesa alongando o prazo para pagamento de suas dívidas, para  além dos 99 meses previstos nos contratos originais. Sarney se livrou de 11 processos no Conselho de Ética e consolidou sua sobrevivência com o benefício da censura prévia judicial que impediu a publicação de informações envolvendo-o com os desmandos no Senado.

A tudo isso, o presidente do Senado chamou de fim de ano “brilhante”. Não lhe faltam motivos pessoais para tal declaração.  Aplicou com êxito,  lição do século XIX, do escritor italiano Lampedusa, segundo o qual, “às vezes é preciso mudar para que tudo continue igual”.

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