Mudança ministerial marca início do jogo pesado

João Bosco Rabello

03 de fevereiro de 2014 | 15h02

Em clima de campanha antecipada, o Congresso Nacional recebe hoje o novo ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante (PT), para a leitura da mensagem presidencial que marca a solenidade de abertura da nova legislatura.  Mercadante é o perfil mais expressivo de uma reforma destinada a fortalecer a jornada pela reeleição de Dilma Rousseff.

Na dança de cadeiras orientada pela conveniência eleitoral,  importa menos os nomes que sucedem os ministros candidatos, que deixam o cargo para concorrer, e mais a sinalização do governo para o espírito de guerra que prevalecerá daqui em diante no tratamento à oposição e à imprensa – que vê como uma coisa só.

Essa é uma das razões para a outra  mudança significativa no ministério – a da ministra Helena Chagas, da Comunicação Social, cujo desempenho é avaliado como aquém do necessário para a fase do vale tudo que tem seu motor na rede digital do PT. Esta requer mais recursos do orçamento, o que implica em critérios mais frouxos de distribuição de publicidade oficial.

Haverá uma intensa operação de distribuição de recursos às mídias regionais para reforçar a posição do governo nos estados, onde as alianças locais nem sempre correspondem à nacional. O esquema supre com propaganda maciça a omissão de aliados envolvidos em enredos estaduais que reduzem seu empenho pela candidatura presidencial.

É uma estratégia que derrama sobre o mapa eleitoral conteúdos de propaganda oficial, na forma publicitária ou editorial, nem sempre vinculada à regra que estabelece valores de publicidade proporcionais à circulação, distribuição ou visibilidade dos veículos beneficiários. Principalmente na Internet, onde a medição ainda é nova.

As demais mudanças ministeriais são destinadas a manter a proporção partidária no bolo e  garantir a continuidade dos programas de governo atrelados a candidaturas estratégicas, caso do ministério da Saúde, que deverá se manter como polo de apoio á eleição do seu ex-ocupante, Alexandre Padilha, ao governo de São Paulo.

O mais emblemático do condicionamento da reforma à eleição é o leilão do ministério do Desenvolvimento, reservado a um empresário – qualquer um que o queira, como parece ser a senha do governo para o cargo. O presidente da Coteminas, Josué da Silva, o dispensou. O governo, desde então, está como o pregoeiro do leilão, a perguntar a um público entediado quem dá mais.

A Pasta foi blindada ao interesse dos políticos para que seu ocupante melhore o diálogo do governo com o empresariado, o que fará de seu titular não um ministro, mas um Relações Públicas. Os conteúdos da Pasta não têm a menor importância e nem dela se espera que produza o que ninguém viu até agora.

À falta de um empresário que, distraído, aceite o posto, o governo começa a se ver em dificuldades. Criticada pelo número de ministérios – 39 -, a presidente Dilma Rousseff se vê na contingência de avalizar a crítica da pior maneira: tem um sobrando, que ninguém quer – ou, pelo menos, por ele não briga, caso do PMDB, que põe a faca no pescoço presidencial pela sua sexta Pasta.

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