Ministra da Cultura impõe saída de Emir Sader e continua alvo do fogo amigo

João Bosco Rabello

02 de março de 2011 | 15h05

Com uma nota breve e objetiva, a ministra da Cultura Ana de Holanda, informou há pouco que o sociólogo Emir Sader não mais será nomeado presidente da Fundação Casa de Rui Barbosa.

Trata-se de uma demissão ocorrida antes que o indicado assumisse o cargo. Por trás dela, a guerra movida pelo PT contra a ministra por causa dos direitos autorais.

Pode ser que Emir Sader, que cobiçou a cadeira hoje de Ana, tenha lhe chamado de autista já com a intenção de não assumir o cargo, que teria recebido como prêmio de consolação.

De qualquer forma, depois da manifestação ofensiva de Sader, que incluiu uma queixa por Ana não ter “sido firme” no protesto pelos cortes em sua Pasta, sua posse ficou insustentável.

Ana de Holanda é nomeação pessoal da presidente Dilma Rousseff que se decidiu por ela ainda na campanha presidencial, quando se reuniu com artistas com os quais assumiu compromissos na área cultural.

A pressão dos defensores da relativização do direito autoral pela saída da ministra foi feita antes mesmo que ela recebesse o orçamento com os cortes na sua Pasta, sem o qual não tem como começar a sua gestão.

A insatisfação, na verdade, é com o arquivamento do projeto de direito autoral do antecessor Juca Ferreira e a decisão da ministra de tirar do site do ministério a Creative Commons, ONG que faz o lobby dos provedores, aqui já abordado.

A julgar pelo seu projeto para a Fundação Casa de Rui Barbosa – de transformá-la num centro de debates – a probabilidade de Emir durar pouco no cargo, se nele fosse empossado, seria enorme.

A desnomeação do sociólogo é um ato de afirmação da ministra, que certamente teve o amparo do Planalto. Mas a torna mais alvo ainda do chamado fogo amigo.

Tendências: