Marina Silva investe no espaço do PT pré-poder

João Bosco Rabello

13 de junho de 2010 | 08h00

Com um olho no público jovem e outro no eleitor petista frustrado com o partido, a candidatura Marina Silva tenta ocupar o espaço do PT pré-poder, o PT dos sonhos que a realidade política sepultou nos oito anos do mandato de Lula.

A utopia de hoje é um discurso ambientalista messiânico indiferente à realidade de um mundo que precisará de mais de um bilhão de hectares para a agricultura até 2030, segundo dados da FAO.

A utopia de ontem era a de um socialismo ao mesmo tempo próspero e democrático, que não vingou em nenhuma parte do planeta.

Já no lançamento da candidatura de Marina as contradições entre discurso e  prática foram antecipadas, não por acaso, nas manifestações de dois políticos.

Enquanto frei Leonardo Boff dava o tom messiânico, ao dizer que “a Terra está crucificada e precisamos baixá-la da cruz e ressuscitá-la”, o deputado Fernando Gabeira cobrou postura crítica em relação aos presos políticos de Cuba e aos “verdes do Irã”, não por serem ecológicos, mas democratas.

E o presidente do partido, José Luis Penna, advertiu que “um partido político não é um grupo de escoteiros”.

Ao excluir Lula do processo que triturou os sonhos da origem do PT, Marina mostra-se atenta à advertência, submetendo-se às circunstâncias eleitorais que recomendam cuidado com a popularidade do presidente, e comparando a saga do operário que superou as adversidades sociais, à sua história de mulher negra, pobre, e só alfabetizada aos 16 anos.

publicidade

publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: