Lula orienta escolhas de Dilma para evitar riscos à continuidade

João Bosco Rabello

27 de novembro de 2010 | 23h29

Concluída a primeira etapa da composição ministerial – a que forma o chamado núcleo duro -, é indiscutível a influência quase absoluta do presidente Lula nas escolhas confirmadas até agora.

Há uma dança das cadeiras, mas os nomes que vêm sendo essenciais a Lula permanecem no governo Dilma, casos de Paulo Bernardo, Gilberto Carvalho, Guido Mantega – e, por extensão, Luciano Coutinho, presidente do BNDES.

A Casa Civil apenas dará visibilidade e caráter formal a um trabalho que Palocci faz desde que teve de sair do ministério da Fazenda após a quebra do sigilo do caseiro Francenildo Costa.

Mesmo na Fazenda, Palocci era importante fator político para o governo Lula, nem sempre com a simpatia da então ministra Dilma Rousseff que chegou a considerar “rudimentar” sua defesa da austeridade fiscal que hoje promete adotar.

É também o dedo de Lula que indica Palocci. Somado a Bernardo e aos demais, Dilma está cercada de eficiência e lealdade providenciadas pelo seu criador para evitar riscos nos primeiros tempos da criatura.

Míriam Belchior, que vai para o Planejamento, era desejo de Dilma, mas também de Lula.

A provável permanência de Nelson Jobim à frente do ministério da Defesa se enquadra no mesmo critério de Lula de não correr riscos agora – e, nesse caso, com mais ênfase por se tratar das Forças Armadas.

É conhecida a antipatia de Dilma por Jobim (a recíproca é verdadeira), mas as circunstâncias recomendam um pragmatismo mútuo: ela precisa dele para consolidar o processo de submissão do poder militar ao civil e ele precisa dela para concluir essa missão.

A transição entre os governos também encontra Jobim à frente de importante processo de reestruturação militar que inclui revisão e aperfeiçoamento de estratégias de defesa e reequipamento das Forças Armadas. No meio disso a operação comercial bilionária de compra de caças.

A saída de Henrique Meirelles do Banco Central pode ter raiz na incompatibilidade entre ele e a presidente eleita, mas o nome que o substitui, Alexandre Tombini, é conselho de Lula.

Não  muda com Tombini a visão da política monetária e o papel do BC na sua condução dentro do modelo Meirelles, mas ninguém acredita que seu sucessor terá a sua autonomia, cuja defesa custou-lhe o cargo.

Em síntese, Lula montou o cinturão de proteção que considera indispensável a Dilma que vai ter mais liberdade de escolha na fase seguinte – a do “chamado varejão” em que os partidos aliados são contemplados com ministérios e cargos estratégicos.

Uma liberdade de escolhas vigiada por PT e PMDB.

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