Lula não vê futuro para Paulo Octávio

Lula não vê futuro para Paulo Octávio

João Bosco Rabello

17 Fevereiro 2010 | 21h00

Ao colocar “sob exame” a audiência solicitada por Paulo Octávio ao presidente Lula, o governo emite um sinal claro de que não acredita na sobrevivência política do governador em exercício de Brasília.  

Faz sentido.  A situação do vice é delicada – menos pelo que se soube até agora e mais pelo que ainda vai emergir das investigações em curso. 

Uma delas apura denúncia  de suborno de parlamentares para a aprovação do Plano Diretor de Ordenamento Territorial de Brasília (PDOT), que alterou a Lei para abrir novas áreas à especulação imobiliária em Brasília.

Pela denúncia de Durval Barbosa, parlamentares da base aliada receberam, cada um, R$ 420 mil pelo voto favorável ao plano. Como o PDOT foi aprovado por 18 votos a  favor, essa conta fecha em R$ 7,5 milhões.

A denúncia leva inevitavelmente ao vídeo em que Marcelo Carvalho, o principal executivo das empresas de Paulo Octávio,  recebe dinheiro das mãos de Durval deixando claro que arrecadava para o patrão.

Como na versão de Durval o dinheiro tem origem nos cofres das construtoras beneficiadas pela aprovação do plano, Paulo Octávio tornou-se suspeito com fortes indícios de participação no esquema.

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Prudente, Paulo Octávio e Nilton Barbosa conversam na festa de aniversário do primeiro

Mesmo que juridicamente  o processo abra chances à sua absolvição, políticamente ele já está insustentável:  não conta nem com o apoio de seu partido, o DEM.

Não lhe ocorreu que não seria o presidente da República, do PT,  quem lhe daria o apoio que seu partido lhe nega.

Além disso, ele expôs o presidente ao tornar público o motivo da audiência: obter seu apoio político para permanecer à frente do governo do DF.

Provou apenas o que já se sabe:  como político é um empresário de sucesso.

A confirmar a avaliação do Palácio de que a audiência seria uma fria, começam a surgir as imagens que dão visibilidade à intimidade do vice-governador com os personagens do enredo de Arruda. 

Discreto em público, ele não deixava passar aniversários ou convescotes que pudessem facilitar suas metas.

A foto que ilustra essa nota é de agosto de 2008, quatro meses antes da aprovação do PDOT. Faz parte do material que a Polícia Federal apreendeu na residência do então presidente da Câmara, Leonardo Prudente. 

O encontro, na churrascaria Potência do Sul, comemorava o aniversário de  Prudente, ejetado do cargo depois das imagens em que aparece escondendo dinheiro nas meias.

Entre os dois,  o deputado distrital Nilton Barbosa (PSDB), irmão de Durval Barbosa.