Licença não solta Arruda

Licença não solta Arruda

João Bosco Rabello

25 de fevereiro de 2010 | 20h50

Foto: Dida Sampaio/AE

Foto: Dida Sampaio/AE

Chega a ser desrespeitosa a proposta do governador José Roberto Arruda, de manter até o último dia do seu mandato a licença que tirou a caminho da prisão, em troca da liberdade.

Não faz sentido, em primeiro lugar, porque sua licença o Judiciário já tem.  O resto é promessa, que não é uma moeda de troca plausível.

Em segundo lugar,  porque continuaria dono do mandato, ao qual poderia voltar quando bem o desejasse.  Para quem já teve duas chances na vida e jogou fora, uma terceira seria demais.

Arruda só tem chance de ser posto em liberdade caso se disponha a negociar em termos respeitosos o seu alvará de soltura. No mínimo, a renúncia.

No máximo, a colaboração com a Justiça , que tentou obstruir subornando testemunhas.

É o que propõe, inclusive, o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), para quem Arruda poderia prestar um serviço ao País se contar o que sabe.

Miro acha que um gesto nessa direção resgataria parte dos erros cometidos pelo governador e mereceria até uma espécie de anistia política pela via popular.

Desde que contasse o esquema em toda a sua extensão, incluindo as cúpulas partidárias que dele teriam se beneficiado.

“Há uma enorme cumplicidade em torno dele, mas quem está na cadeia é ele. Por isso, ele deveria refletir e prestar esse serviço ao país”, diz Miro.