Intervenção favorece governo pós-Arruda

Intervenção favorece governo pós-Arruda

João Bosco Rabello

09 de março de 2010 | 12h55

Associada ao fim da autonomia política da Capital, pela oportunidade que abre de revisão do sistema, a intervenção federal é, no entanto, um bom negócio para o próximo governador eleito.

Cristovam, pressionado a assumir candidatura. Foto: Celso Junior/AE

Cristovam, pressionado a assumir candidatura. Foto: Celso Junior/AE

Talvez por isso encontre mais resistência nos círculos empresariais e sindicais do que no universo político, onde dois partidos já a defendem abertamente: o PSB e o PV.

Assumir o governo de Brasília após a assepsia inevitável de suas instituições é muito mais confortável do que executá-la.

O ônus político dessa faxina pós-Arruda vai imobilizar por longo tempo o futuro governo e comprometer com o passado parte de seu mandato.

Essa perspectiva desanima potenciais candidatos como o senador Cristovam Buarque (PDT),  que hoje vive entre a pressão para que se candidate e a certeza de que, eventualmente eleito, será muito mais interventor que governador.

A intervenção com data marcada para terminar poupa o futuro governo desse ônus e garante uma limpeza mais eficiente, porque desvinculada de imposições político-partidárias.

A oposição é dos que têm a perder com ela –  empresários que temem paralisia em seus negócios com o governo e sindicatos que esperam nomeações de concursados, entre outros.

E, claro, os que a sabem o fim do caminho e correm de auditorias como o diabo da cruz.