Ideologia intervencionista leva o Estado para dentro do motel

João Bosco Rabello

14 de abril de 2011 | 12h12

A ideologia intervencionista chegou ao ponto do delírio e levou o Estado para dentro do motel.

A Comissão de Assuntos Sociais do Senado, em caráter terminativo, ( que dispensa a votação em plenário), decidiu que os motéis têm que fornecer gratuitamente camisinhas para seus freqüentadores.

Talvez não haja nada que simbolize mais a privacidade que um motel. E mais privado ainda o que lá se faz.

Mas o Senado, que sugere com isso não ter mais o que fazer, produz benesses (não dá para chamar isso de política social) com o chapéu alheio.

Nesse diapasão, daqui a pouco vai estabelecer a obrigatoriedade do fornecimento de Viagra como política para a Terceira Idade  e estabelecer regras de comportamento para os amantes. E por quê não a obrigatoriedade de cuecas antialérgicas?

É de se imaginar como será a regulamentação dessa possível Lei. Quantas camisinhas por quarto? Qual o parâmetro de qualidade do material empregado na sua fabricação?

E se a camisinha estourar, qual a penalidade para o proprietário do motel? Ou será só para o  fabricante?

O freqüentador de um motel difere em tudo do indivíduo desprotegido, sem formação e informação sexual, sem recursos para mais essa despesa preventiva e sem consciência para as conseqüências de seus atos nesse campo.

A camisinha e outros cuidados recomendáveis para a prática de sexo, exceção já mencionada, é responsabilidade e dever de cada cidadão, mais ainda a compra do produto.

Além disso, provavelmente muitos motéis, por senso comercial, já devem oferecer gratuitamente as camisinhas – um marketing óbvio para o segmento.

O mais curioso nessa história é tratar-se de uma iniciativa do DEM, através da senadora Maria do Carmo Alves , – o partido que defende o liberalismo, a economia de mercado, a livre iniciativa.

Mais chocante: o senador Lindberg Farias (PT-RJ) estendeu a medida aos hotéis, pousadas e pensões.

Dele não espanta a idéia: ex-presidente de uma Une (União Nacional dos Estudantes) sempre financiada pelo Estado, acostumou-se a pôr na conta do contribuinte o que lhe parecer importante. Ainda que não seja.

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