Governo restringe PMDB e PT reescreve mensalão

João Bosco Rabello

14 de fevereiro de 2011 | 11h11

Enquanto a pena do ministro Antonio Palocci escreve uma história de exclusão de caciques peemedebistas, a do PT reescreve o mensalão com a reinserção política de personagens sub judice no Supremo Tribunal Federal (STF).

São operações que correm paralelas. O governo garantiu o mesmo tamanho ao PMDB no mapa político, mas o transferiu para territórios mais áridos. Confiscou feudos antigos e produtivos do partido, como Furnas, Funasa, Correios e outros, em troca de áreas menos cobiçadas.

Desgastou lideranças como os deputados Henrique Eduardo Alves (RN) – cuja chance de presidir a Câmara começa a ficar remota -, e Eduardo Cunha (RJ), cujas biografias só ganham de mensaleiros, no quesito fisiológico, pela antigüidade.

Nada contra. Como diria o Barão de Itararé, trata-se de duas personagens muito capazes. “Capazes de tudo”.

Do outro lado do campo, o PT formalizou o movimento pela reabilitação de José Dirceu e Delúbio Soares, na festa de comemoração dos 31 anos do partido, que teve as presenças de Lula e de sua sucessora, Dilma Rousseff.

O deputado João Paulo Cunha, que chegou a presidir a Câmara e mandava buscar polpudas remessas de Marcos Valério na agência do Banco Rural de um shopping, disputa a presidência da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ), com apoio do partido.

O ex-tesoureiro, Silvinho, já se animou também e quer seu lugar de volta. Faz sentido: uma Land Rover, recebida em suborno, é um grão de areia num deserto, diante do volume de dinheiro posto em circulação por Delúbio no mensalão.

Eles fazem parte de um grupo de 40, considerados integrantes de quadrilha pelo Procurador-Geral da República, Antônio Fernando de Souza, em denúncia aceita pelo STF.

A tentativa de promover a reabilitação política do grupo, ou, pelo menos, de suas lideranças mais expressivas, antes do julgamento, pode significar uma pressão sobre o tribunal, que já se mostrou politizado em diversas decisões recentes.

Não por acaso, a formalização dessa etapa se deu na presença de Lula que ainda na presidência se dissera disposto a desmontar “a farsa” do mensalão, quando deixasse o cargo.

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