Governo mantém Abin sob comando militar

João Bosco Rabello

14 de março de 2011 | 12h00

Contornado o motim que pretendia retirá-la da hierarquia militar, a Agencia Brasileira de Informação (Abin) passa por uma reformulação de natureza ideológica e operacional.

A presidente Dilma Rousseff deu aval para que o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) restaure a missão original da agência como órgão de inteligência estratégica a serviço do Estado.

O ministério da Defesa minimizou o conflito classificando-o como uma ação de inspiração sindicalista que reuniu pouco mais de uma centena de funcionários num universo de oitocentos.

Não se fala em punições, o que não significa que não ocorram:  antes, pode haver até afastamentos.

O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Elito de Siqueira, alvo mais visível da rebelião, não fala publicamente sobre o assunto, mas tem admitido a interlocutores que está em curso um processo de correção de rumos na agência.

O conceito a orientar a mudança é o de que a Abin não é órgão de espionagem e nem gabinete de crise, mas de prevenção de crises, o que a levará a se concentrar no monitoramento de cerca de 400 pontos estratégicos considerados de segurança nacional – desde as fronteiras terrestres, marítimas e aéreas até sistemas vitais ao país como o elétrico, o  hidrelétrico e  o energético.

A idéia é manter a presidente da República previamente informada sobre assuntos de importância estratégica, para que o governo recupere a capacidade de se antecipar aos fatos.