Governo investe na divisão do PMDB para controlar posições estratégicas

João Bosco Rabello

05 de fevereiro de 2011 | 23h14

Foi investindo na divisão interna do PMDB que o governo conseguiu tirar Furnas da influência do deputado Eduardo Cunha (RJ) sem dar-lhe chance de reação.

Cunha chegou a ensaiar uma ameaça, mas a nomeação de Flávio Decat para a presidência da empresa, pela sua associação com o presidente do Senado, José Sarney (AP), manteve-a na órbita peemedebista, imobilizando o deputado carioca.

Decat, porém, é escolha pessoal da presidente Dilma Rousseff, que já o tinha em boa conta há algum tempo. O vínculo com Sarney, nesse caso, facilitou a vida da presidente que está determinada a mudar o comando do setor elétrico.

A operação, que certamente tem o dedo do ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, a quem Dilma terceirizou a coordenação política, emudeceu também o inflamado deputado Henrique Eduardo Alves (RN), parceiro de Cunha no estilo de reivindicação que conjuga gritaria com ameaça.

Essa é uma estratégia que o governo do PT vai fazer sempre que puder, dividindo o aliado, mas também rival, para governar privilegiando os seus.

Aposta na falta de unidade do PMDB, determinada pela existência de diversos comandos com interesses próprios – alguns regionais, outros pessoais de lideranças aguerridas e fisiológicas.

Não que falte fisiologismo ao PT, mas sua unidade partidária para a partilha de cargos é indiscutível: faz a guerra interna, mas dela emerge com as posições negociadas.

É mais que provável que para fazer valer seus propósitos, PT e PMDB não hesitem em produzir mais dossiês como já ocorreu na disputa pelo comando de Furnas.

Por isso se diz que o maior desafio de Dilma Rousseff é a administração de aliança tão complexa como a que sustenta seu governo.

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