Florence foi vítima de fogo amigo do PT

João Bosco Rabello

10 de março de 2012 | 23h03

O ministro Afonso Florence, demitido da pasta do Desenvolvimento Agrário, foi vítima de fogo amigo do PT. Desde o início do ano, sua cadeira era alvo da bancada da Câmara, que se ressente de não ter um representante de peso na Esplanada. Essa insatisfação só aumentou com a destituição do ex-líder da bancada Luiz Sérgio (RJ) do Ministério da Pesca para acomodar o PRB.

Deputado federal em primeiro mandato, Florence não era considerado um representante da bancada no ministério. Seus verdadeiros padrinhos eram o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), e o senador Walter Pinheiro (PT-BA). Por isso, e sabedores de seu desempenho pífio à frente da pasta, deputados petistas passaram a fritá-lo, alimentando especulações sobre quem, entre os colegas de bancada, poderia sucedê-lo.

Um dos nomes que despontou na bolsa de apostas foi o do ex-líder da bancada Paulo Teixeira (SP), que deixou o cargo em fevereiro. Contudo, Dilma preferiu manter na pasta um deputado da corrente Democracia Socialista (DS), que controla o Ministério do Desenvolvimento Agrário desde o governo Lula. Chegou ao nome de Pepe Vargas (PT-RS). A diferença entre Vargas e Florence é que o gaúcho tem projeção política. Ele desponta entre os cem deputados mais influentes, é presidente da Frente Parlamentar da Micro e Pequena Empresa e relatou matérias importantes, como o projeto que extingue o fator previdenciário.

Insatisfação

Mesmo emplacando um nome de mais peso político no MDA, uma liderança petista afirma que a bancada continua insatisfeita, porque o contemplado vem de uma ala minoritária do partido. Lembra que no início do governo, a ala majoritária tinha um representante no núcleo duro do Planalto, o deputado Luiz Sérgio, que foi o primeiro titular da Secretaria das Relações Institucionais. Meses depois, ele acabaria exilado na Pesca, até a degola final.

Outras derrotas da bancada junto ao Planalto foram as tentativas frustradas de emplacar os deputados Newton Lima (SP) na pasta da Ciência e Tecnologia, e José de Filippi Júnior (SP) no Ministério das Cidades. Em contrapartida, o PT do Senado contabiliza duas representantes no núcleo próximo a Dilma, as ministras Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e Ideli Salvatti (Relações Institucionais).

 

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