Fim de parceria histórica

João Bosco Rabello

16 Maio 2010 | 13h19

O voto é secreto e a fé é vida interior, portanto é impossível prever o resultado da recomendação da CNBB ao eleitor católico para que vote em “pessoas comprometidas com o respeito incondicional à vida, à família, à liberdade religiosa e à dignidade humana”.

Mas o PSDB acredita que a orientação pode influir no espírito do eleitor católico fiel à Igreja e comemora sem estardalhaço o manifesto dos bispos, porque os pontos vetados pela CNBB, na ótica do partido, não podem ser dissociados da candidata Dilma Rousseff – afinal eles constam do Plano Nacional de Direitos Humanos, produzido no governo do qual fez parte e cuja continuidade representa.

O enunciado é uma clara tomada de posição contra bandeiras caras à esquerda, como o direito ao aborto, ao casamento entre homossexuais e à adoção de crianças pelos mesmos.  Representa um divisor de águas numa parceria histórica entre a ala progressista da Igreja e o PT.

Católico, Serra não pretende tratar desses temas por achar que cabe ao Congresso e, por extensão, à sociedade examiná-los.  Mas já fez profissão de fé contra o aborto e declarou-se católico em diversas ocasiões.

O casamento Igreja-PT produziu bons resultados à época em que a parceria se justificava e quando os conflitos entre as agendas cristã e marxista podiam ser evitados.  “Foi bom enquanto durou”, sintetiza um parlamentar petista.

“Além do aborto, há outras distorções inaceitáveis”

Dom Odilo Scherer,

SOBRE O PLANO NACIONAL DE DIREITOS HUMANOS

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