FHC com Roriz: um erro de avaliação

FHC com Roriz: um erro de avaliação

João Bosco Rabello

26 de março de 2010 | 10h00

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Encontro entre FHC e Roriz indignou eleitores e não eleitores do PSDB. Foto: Paulo Vitor/AE

Com frequência a atividade política impõe alianças entre perfis ideologicamente antagônicos em nome de um objetivo estratégico –  partidário ou de governo.

Ao longo do segundo mandato, o presidente Lula andou abraçando antigos desafetos, como o ex-presidente Fernando Collor, e empenhando sua biografia em defesa de José Sarney.

Faz parte do jogo, porque a política é feita de alianças, muitas delas, ocasionais. Não fazer concessões de muita repercussão, mas de nenhuma consequência prática, pode se revelar um erro estratégico.

E a políticos experientes não é dado o direito de erros primários, embora essa verdade não seja garantia de que não os cometerão.

É o caso do recente encontro entre o ex-presidente Fernando Henrique e o ex-governador Joaquim Roriz, cuja fotografia indignou eleitores e não eleitores do PSDB.

A condenação decorre da constatação de que a receptividade de Fernando Henrique a Roriz não se insere no rol daquilo que se poderia chamar de uma necessidade pontual, uma concessão purgatória.

Os índices de Roriz nas pesquisas para o governo de Brasília, onde o PSDB precisará montar seu palanque para as eleições presidenciais, não justifica o gesto.

Nem a relação custo/benefício política se aplica ao caso, porque o PSDB mais perde do que ganha com o episódio – um brutal erro de avaliação, com visibilidade espantosa, geralmente providenciada para grandes momentos.

Encontros desse tipo em muitas campanhas políticas se davam a quatro paredes, com o candidato recebendo um político indesejado, mas indispensável pelos votos, pela porta dos fundos.

Nem era o caso.

A população de Brasília acompanha o escândalo que levou seu governador à cadeia  com a expectativa de que as investigações que viabilizaram sua deposição alcancem Roriz, o mentor de todo o esquema.

Roriz é investigado na operação Caixa de Pandora que já se tornou a mais bem documentada ação policial no universo político brasileiro. Dificilmente sairá ileso dela.

Tal contexto exclui o ex-governador como um “sapo” que a política empurra goela abaixo, e o transforma em personagem perigoso aos objetivos de qualquer político ou partido.