Fernando Henrique na campanha revive polarização PT/PSDB

João Bosco Rabello

17 de fevereiro de 2014 | 18h38

A participação cada vez mais intensa do ex-presidente Fernando Henrique na orientação estratégica do PSDB, e seus conteúdos em textos e em fóruns privados dos quais participa, indicam que rivalizará com o ex-presidente Lula na campanha presidencial deste ano.

Ambos movimentam as candidaturas de seus partidos, revivendo a polaridade que marca há duas décadas as eleições brasileiras entre PT e PSDB. Excluído da última campanha do partido, pela opção equivocada de negar a privatização, Fernando Henrique parece cada dia mais atuante na crítica à gestão do governo e ao modelo de governança do PT

Sua movimentação começou a ganhar corpo desde que se colocou a favor da candidatura de Aécio Neves dentro do PSDB dando fim gradativo ao conflito com o ex-governador José Serra, que reproduzia a eleição passada. De lá para cá, Fernando Henrique tem sido ator participativo nos bastidores e na linha de frente na fase da pré-campanha.

Provavelmente não se disporá a rodar o país, como promete fazer Lula, mas não se duvide da possibilidade de subir em palanques estratégicos para a oposição, ao lado de Aécio. Por ora, o ex-presidente tucano tem emprestado sua credibilidade para identificar pontos vulneráveis do governo e propor mudanças.

Como hoje, em palestra a empresários de Santo André, um reduto petista, em que pregou urgência na adoção de novos rumos pelo país, defendeu os governadores do PSDB da acusação de participação no cartel dos trens, prestou honras ao Supremo Tribunal Federal, fazendo profissão de fé na isenção dos juízes no julgamento do deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG) e acusou o governo de flertar com a irresponsabilidade na política de energia.

São temas na pauta da campanha presidencial que o ex-presidente tem abordado com frequência não vista em 2010, quando percebeu que sua presença constrangia a linha de campanha do partido. Incluído na deste ano, está a pleno vapor e seu debate direto com Lula , em algum momento, parece inevitável.

Um dos efeitos dessa atuação intensa do ex-presidente é a contribuição expressiva que significa no esforço de visibilidade feito em favor de Aécio Neves. Puxando-o para o seu lado, discursando em seu favor, Fernando Henrique identifica Aécio junto ao eleitorado como o candidato com seu apoio, o presidente do Plano Real.

Talvez por isso, o PT tenha se acostumado à ideia de que o senador mineiro será o candidato com mais probabilidade de ir ao segundo turno. Em que pese o apoio de Marina Silva ao governador Eduardo Campos, o tucano continua sendo alvo dos ataques e a preocupação com Campos , por ora, se refere ao seu apoio no segundo turno.

 

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