Fatos novos inviabilizam blindagem de Erenice Guerra

Fatos novos inviabilizam blindagem de Erenice Guerra

João Bosco Rabello

16 de setembro de 2010 | 11h23

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Artifícios usados pelo governo não se sustentam diante da velocidade das investigações da mídia. Foto: André Dusek/AE – 14.09.2010

A cada 24 horas a ministra Erenice Guerra vai perdendo a blindagem eleitoral que vem garantindo sua permanência no cargo. É o prazo entre as edições dos telejornais e jornais com novas informações sobre o tráfico de influência no governo a partir da Casa Civil.

Os artifícios usados pelo governo, como remeter o caso à Comissão de Ética, ou anunciar a entrada da Polícia Federal no caso, são factóides que não se sustentam diante da velocidade das investigações da mídia. As novas revelações caminham para a arrecadação de campanha , terreno minado e perigoso.

Essa mídia, que goza de “excesso de liberdade”, segundo o ex-ministro José Dirceu, traz hoje novas denúncias – a começar pelo aparecimento de outra empresa , a paulista EDRB, que afirma ter sido “convidada” a doar R$ 5 milhões para a campanha de Dilma, para ter liberado um empréstimo de R$ 9 bilhões que fizera ao BNDES.  Está na Folha de S.Paulo.

Descobriu-se também, desde ontem, que Erenice Guerra tem familiares empregados tanto no governo federal quanto no do Distrito Federal. O próprio Israel Guerra, filho que conduziu o lobby do empresário Fábio Baracat, é funcionário da Terracap – a Companhia Imobiliária de Brasília -, desde 2008, portanto no governo Arruda.

O irmão Euricélio tem função de chefia na Novacap, fez negócios suspeitos com a Universidade de Brasília, sob investigação. Amigos e sócios integram a rede montada para ganhar “taxa de êxito”  (eufemismo para propina) a empresas e empresários com interesses comerciais no governo.

O contexto não permite mais recorrer ao argumento da “baixaria” de campanha, acusando o candidato do PSDB, José Serra, de arquiteto de uma conspiração aética. Nem o governo aceitou esse conteúdo da nota formal de Erenica Guerra, divulgada sem uma linha sequer de explicação para o livre trânsito do filho no palácio e em outras áreas oficiais.

Erenice Guerra aparece no cenário de negócios familiares, seja em almoço com Baracat, seja em reunião na Casa Civil com a EDRB, ainda que jure dela não ter participado. Mas seu filho é acusado de cobrar dinheiro a empresa que esteve nessa reunião. O estoque de coincidências acabou:  a ministra está na fita.

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