Estafa de campanha

João Bosco Rabello

29 de janeiro de 2010 | 17h00

Com todo o respeito – e os melhores e mais sinceros votos de pleno restabelecimento ao presidente Lula – o diagnóstico médico de excesso de trabalho como causa de sua hipertensão, se traduz por uma estafa decorrente da combinação de agenda oficial e campanha eleitoral.

Trocando em miúdos, a agenda do presidente da República está sendo cumprida dentro de um avião, que se desloca pelos quatro cantos do país, levando o chefe da Nação a lançamentos, inaugurações e eventos diversos, de indisfarçável cunho eleitoral, sempre em companhia de sua candidata, a ministra Dilma Rousseff.

Do alto de uma popularidade que em algumas regiões chega aos 100%, Lula revela um sentido de realidade próprio, desvinculado das regras e do senso comum em vários momentos. A transgressão à legislação eleitoral é ostensiva e, muitas vezes, a negação disso vem pontuada de ironias.

Desse nicho de glória, o presidente manifesta opiniões contraditórias com os princípios que diz respeitar, entre os quais, o da liberdade de expressão. É o que se depreende de sua recente declaração sobre a Venezuela, convulsionada por protestos de rua: “Por falta de democracia, não é”, disse sobre o fato.

Como Hugo Chávez acaba de fechar seis emissoras de TV, uma delas por não transmitir seus discursos na íntegra, fica a suspeita de que Lula cumpre uma mera formalidade ao assumir compromisso público pela liberdade de expressão.

E de que não diverge, como sugere, das propostas restritivas aprovadas nas inúmeras conferências patrocinadas pelo seu governo. Entre as quais a que institucionaliza a censura aos meios de comunicação sob o pretexto de regulamentar a mídia.

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