Em plena campanha

João Bosco Rabello

11 de fevereiro de 2010 | 13h18

Desde ontem está no ar uma propaganda do PT em que a ministra Dilma Rousseff é apresentada como a continuidade do governo atual. Até aí, tudo bem, é essa a legítima mensagem eleitoral do partido.

Depois de identificar o PT como agente das transformações no País nas duas últimas décadas, mostra Lula e Dilma, lado a lado, pregando a continuidade.

Ao lado do presidente, ela faz um convite ao telespectador (eleitor): “Venha com a gente, vamos continuar mudando o Brasil”.

Não há outra tradução para esse “convite” senão a de um pedido de voto. A peça pretendeu passar uma mensagem subliminar, mas acabou explícita.

O que torna a legislação que proíbe a campanha antecipada uma mera peça de ficção.

Some-se à propaganda as imagens levadas ao ar, diariamente, pelos jornais televisivos, com Lula e Dilma em palanques de inauguração de obras, fazendo discursos eleitorais, e fica impossível dar outro nome a isso senão o de campanha eleitoral.

Não fosse pelo uso da estrutura do Estado para essa óbvia campanha antecipada, indiscutívelmente cara e patrocinada pelo contribuinte, até seria admissível considerar essa discussão uma bobagem.

Afinal, é hipocrisia disfarçar o que todos sabem: que Dilma é a candidata do PT apoiada pelo presidente da República e que terá por adversário principal o governador José Serra.

E que todos, de uma forma ou de outra, tentam dar visibilidade a seus feitos e comparam suas gestões.

Mas nada disso dá ao Presidente o direito de revogar a Lei na marra.

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