Eduardo Braga anuncia decisão sobre candidatura em Manaus

Andrea Vianna

27 de junho de 2012 | 08h47

O líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), comunica logo mais, às 10h30, à presidente Dilma Rousseff, sua decisão sobre a candidatura a prefeito de Manaus. Se sair candidato, ele cogita acumular a empreitada com a liderança do governo, alegando que as eleições esvaziam o Congresso e quase não haverá votações. Mas isso dependerá do aval de Dilma. Mais tarde, às 16 horas, ele sobe à tribuna do Senado para anunciar a decisão.

Qualquer antecipação sobre o destino de Braga é arriscada. Mas o prazo do suspense esgotou-se, porque as convenções para registro das candidaturas podem ser realizadas até sábado (30).

Reviravolta

Eventual candidatura de Braga marca uma reviravolta na política nacional, até porque ele assumiu a liderança do governo há apenas três meses, em circunstâncias conturbadas. Após sofrer uma derrota no plenário do Senado, com a rejeição de seu indicado para o comando da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a presidente substituiu Romero Jucá (PMDB-RR) por Eduardo Braga. Nova mudança no cargo vai gerar turbulência à interlocução do governo com o Congresso.

Indícios

Nos últimos dias, entretanto, Braga emitiu sinais de que pode sair candidato. Ele confidenciou a interlocutores o receio de que outro grupo político chegue ao poder em Manaus. O peemedebista não perderia espaço no Senado, porque a mulher dele, Sandra Braga, é sua primeira suplente. Ademais, ele não esconde os planos de voltar ao comando do Estado em 2014.

No último domingo, ele declarou ao principal jornal de Manaus, A Crítica, que a candidatura da deputada federal Rebecca Garcia (PP) não unificaria os partidos da base aliada ao governador Omar Aziz (PSD). “A deputada não conseguiu juntar os partidos da base”, disse Braga. A declaração surpreendeu até Aziz, que costurava a coligação de apoio a Rebecca.

Se Braga se candidatar, o governador deverá apoiá-lo. Aziz era vice do peemedebista e elegeu-se governador em 2010 graças ao apoio de Braga, que deixou o governo com mais de 80% de aprovação popular.

Pelo menos dois fatores fortalecem a tese da candidatura de Braga. O primeiro é a rejeição do PMDB ao nome de Rebecca Garcia. Presidente do PMDB local, Braga tentou lançar o nome do deputado estadual Marcos Rotta, mas a candidatura dele não decolou nas pesquisas.

Outro fator é a possibilidade de que o grupo político do ex-senador Arthur Virgílio (PSDB) chegue ao comando da capital. O prefeito Amazonino Mendes (PDT) sinaliza apoio à candidatura de Virgílio, o que o impulsionaria à liderança da disputa. Amazonino sofre pressão de várias siglas para disputar a reeleição, inclusive do PT, que gostaria de indicar o vice. Mas alega motivos de saúde para não se lançar na disputa, e pode fechar com o PSDB.

Pulverização

Além disso, a corrida eleitoral em Manaus está pulverizada, com muitos candidatos, e qualquer um que atinja pelo menos 20 pontos nas pesquisas tem chance de chegar ao segundo turno. Além dos nomes mais expressivos – Rebecca Garcia, que tem o apoio do governador, e Arthur Virgílio, que pode fechar com Amazonino – outros nomes têm o recall de eleições anteriores. Também devem concorrer o ex-prefeito Serafim Corrêa (PSB) e os deputados federais Pauderney Avelino (DEM) e Sabino Castelo Branco (PTB).

 

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