Dona Darci e o desespero da insegurança na Capital

João Bosco Rabello

06 de janeiro de 2011 | 00h35

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Dona Darci, contando como lutou e dominou o assaltante. Foto: Alice Rabello

Uma pausa na política para uma história inacreditável de uma mulher de 70 anos que dominou, com a ajuda das duas filhas, um assaltante armado dentro de sua casa.

A septuagenária Darci Cunha, natural de Ricardo Albuquerque, no Rio, está em Brasília desde os 19 anos.

Três horas atrás estava com as filhas, Darlene e Darcilene, e o cunhado Ezir, em sua casa, no Lago Norte, bairro nobre da Capital, quando Washington Brito, 22 anos, foragido da polícia, adentrou a sala armado anunciando um assalto.

Ezir Cunha, seu cunhado, reagiu e foi baleado. Ela partiu para cima do bandido, que ainda disparou mais dois tiros, e o esfaqueou dezenas de vezes, depois de golpeá-lo com um espremedor de batatas.

Minutos depois, ela contava com a maior calma a este jornalista, seu vizinho de quadra, que não hesitou um só segundo em socorrer o homem da casa. “Estava na cozinha preparando uma carne pro almoço de amanhã e aproveitei a faca”, disse.

Foi um rebuliço no conjunto 11 da quadra 8. Vizinhos saíram às ruas, a polícia foi acionada, mas quando chegou não havia mais nada a fazer, senão socorrer o assaltante – homicida com oito inquéritos policiais nas costas.

Uma vizinha interrompe a conversa. “Darci, senta, cuidado com a pressão”.

– A pressão tá ótima, minha filha, eu queria é ter ido até o fim, pegar a carótida, mas não deu, a polícia chegou”, revelou. Segundo ela, o bandido chegou a implorar que não o matasse. “Foi bom vê-lo na situação em que coloca os outros”, contava.

A filha Darcilene, que sentou em cima do assaltante, estirado no chão da sala, já desarmado, comemorava o que sempre a torturou: o peso. “Com meu peso, ele não se mexia. Adorei ser gorda”.

PMs, policiais civis, um trio do DOE (Departamento de Operações Especiais) , armados até os dentes, e peritos do Instituto de Criminalística, trabalhavam incrédulos no recinto.

“Nunca se deve reagir, vocês correram um imenso risco e tiveram muita sorte”, censurava um policial que se confessava perplexo.

Outro dizia ao bandido que era socorrido: “Com essa você não contava”, referindo-se a dona Darci.

Que não fez por menos. “Pois é, temos que fazer o trabalho de vocês, essa é a segurança do país”, disse.

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