DF sob suspense da intervenção

João Bosco Rabello

17 de fevereiro de 2010 | 13h42

Pelos transtornos que causa, a intervenção federal é  precedida de um avaliação  custo/benefício que, historicamente, sempre a mantém no arquivo das hipóteses.

Podendo evitá-la, tanto melhor, inclusive porque é daquelas medidas que não podem ser banalizadas.

A circunstância de Brasília, porém, se reveste de características inéditas, pela extensão do esquema de corrupção que levou o governo José Roberto Arruda à lona.

A rigor, a intervenção é a medida mais correta, porém suas chances ainda parecem remotas.

Nesse momento, a Câmara Distrital, onde a contaminação pela rede de corrupção é de quase 100% , acena com as cassações de Arruda e de mais três parlamentares, para  evitá-la.

Simula um ânimo punitivo ostensivamente casuístico, agindo em cima dos personagens que aparecem nos vídeos de Durval Barbosa, como se eles resumissem a lista de culpados.

Os jornais locais, refletindo o interesse do empresariado – e os seus próprios – assumem a campanha contra a intervenção, rotulando-a de  “golpe” contra a democracia.

Nada mais falso. Não há golpe numa intervenção pela via judicial, em ambiente democrático, num contexto em que o governador está preso e toda a linha sucessória comprometida.

Há interesses em jogo muito mais fortes do que o do Governo Federal em não paralisar o processo de votação de emendas no Congresso Nacional – um dos efeitos colaterais da intervenção.

Em ano eleitoral, o governo sabe que pouco obterá do Congresso, mas o pretexto de não paralisá-lo  será usado pelos que precisam evitar a intervenção  a qualquer custo.

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