Desgaste interno e externo compromete metas de Renan e Ideli

João Bosco Rabello

27 Dezembro 2013 | 18h24

Ao final do ano, duas perdas políticas parecem desenhadas sem maiores chances de reversão: a da ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvati (PT-SC), que pretende voltar ao Senado; e o sonho do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), de reeleger-se para o cargo

São dois casos de desgaste aparentemente irreversíveis – um, junto ao público interno; outro, ao externo.

A ministra Ideli Salvati fechou o ano confirmando sua dificuldade pessoal em se impor como canal de mediação entre a base aliada e o Planalto, em que pese a seu favor a centralização da presidente Dilma Rousseff, muitas vezes ceifadora de voluntarismos.

Aspirante a candidata ao Senado por Santa Catarina, Ideli vê se esvairem as condições favoráveis ao seu pleito. Dificilmente obterá legenda no Estado para seu retorno ao Senado, o que restringe sua possibilidade parlamentar à Câmara.

Mesmo assim, não será tão fácil. Ideli também andou misturando público e privado em andanças pela sua região eleitoral, num périplo que ficou marcado pelo uso do helicóptero que atendia a resgates de acidentados e doentes pelo Samu.

Se nem Câmara e nem Senado, restará à ministra manter-se no cargo ou contentar-se com menos, o que dependerá da boa vontade – e das possibilidades políticas da presidente da República. Ideli, como se sabe, tem um índice de rejeição na base aliada – e, de resto, no Congresso -, que beira os 100%.

Já Renan Calheiros parece empenhado em trabalhar para que a preferência do PT, de que dispute o governo de Alagoas e desista da reeleição à presidência do Senado, se consume. O PT concorda em apoiá-lo para o executivo estadual, porque o quer longe do Senado, mas o plano de Renan é de tentar a reeleição e emplacar o filho para o governo estadual – duas operações para as quais pleiteia o apoio do Planalto.

Sua reincidência em uso de avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para fins particulares, porém, pode ter sido a pá de cal nas suas pretensões. Depois de ir a um casamento em Trancoso, em jato da FAB, resolveu repetir a dose, desta vez, no Recife, para implante de cabelos.

A péssima repercussão pública do fato dá ao PT e ao governo – e aos seus adversários, em geral-, munição para matar suas pretensões. Basta manter o comportamento do senador na pauta para que ele perca as condições de tentar a reeleição ao cargo.

Não se pode imaginar que raciocínio orientou Renan a repetir a dose e nem se tem uma assessoria que o alerte para esse tipo de imprevidência – ou se, simplesmente, não aceita as restrições ao uso da aeronave. O fato é que está, a cada dia, ampliando a rejeição ao seu nome, de dentro para fora, o que acaba fazendo um todo.

A eventual inviabilização de Renan como candidato à presidência do Senado, não se traduz como o fim do rodízio PT/PMDB que tem prevalecido para as chefias das duas casas do Legislativo. Mas pode lhe dar poder de barganha para romper o ciclo na Câmara, onde não há, como no Senado, a regra que garante ao partido majoritário a vaga.