Depois de Dilma, Temer vai conversar com Lula

João Bosco Rabello

12 Junho 2013 | 16h12

Michel Temer – Foto: Ed Ferreira

O vice-presidente Michel Temer vai se reunir com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos próximos dias. É um desdobramento da conversa do PMDB com a presidente Dilma Rousseff na última segunda-feira (3), que contou com o próprio Temer, além dos presidentes da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN), do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

Lula lidera a articulação política no PT e é o maior conselheiro de Dilma. Temer vai expor ao petista o mesmo cenário de acirramento na formação dos palanques regionais, decorrente da conflagração na base aliada, que relatou à presidente.

As costuras nos Estados foram adiantadas por causa da antecipação da eleição pelo próprio Lula, que lançou no início do ano a candidatura de Dilma à reeleição. Temer vai mostrar como as negociações pré-eleitorais estão conturbadas, ameaçando a unidade da coligação para 2014.

PT e PMDB são adversários em Estados-chave, como Rio de Janeiro e Bahia, segundo e quarto maiores colégios eleitorais, respectivamente. Há problemas também no Mato Grosso do Sul e Maranhão.

Além disso, os parlamentares estão indispostos. Sentem-se mal tratados pelo governo e estão mais preocupados com as próprias reeleições. Intensificaram as cobranças pela liberação de emendas e preenchimento de cargos no governo.

Para agravar, essa insatisfação atinge o próprio Temer. Deputados alegam que o presidente do PMDB cuida de si, mantendo-se na vice-presidência da República, enquanto os parlamentares sofrem cobranças de suas bases e têm as eleições ameaçadas.

É o que reflete o desabafo do deputado Alceu Moreira (PMDB-RS) em reunião da bancada, que este blog mostrou na última segunda-feira: “Eu gosto do Michel (Temer), mas gosto mais de mim. Depois ele volta, e eu não”.

Na conversa com Dilma no último dia 3, o PMDB teve a primeira oportunidade de expor, sem intermediários, o clima de rebelião na base e o grau de insatifação dos aliados.

Dilma ouviu que a rebelião atinge não apenas o PMDB, mas todos os partidos da base aliada, numa ameaça à manutenção da ampla coalizão de partidos que lhe dão sustentação parlamentar. Apesar da sinalização da presidente de que haveria melhoras na articulação, o ambiente de insatisfação continua o mesmo.