Demissão consumada, Planalto e PR iniciam queda-de-braço pela substituição de Nascimento

João Bosco Rabello

06 de julho de 2011 | 19h54

Consumada a inevitável demissão do ministro Alfredo Nascimento, começa agora a queda de braço entre a presidente Dilma Rousseff e o PR pela nomeação de seu substituto à frente dos Transportes.

A presidente tem ostensiva preferência por Paulo Sérgio Passos, atual Secretário-Executivo da Pasta, com perfil mais técnico, mas o PR não quer, embora ele seja filiado à legenda.

Dilma, aliás, reuniu-se ontem com Passos quando a demissão de Nascimento ainda não ocorrera. Fato que precipitou-a, inclusive. Oficialmente, discutiam projetos ferroviários.

Aqui, um problema: ao optar por Passos, a presidente está preservando a Pasta para o PR , mantendo o compromisso com o aliado, mas tentando impor critério técnico à nomeação.

O PR quer continuar fazendo do ministério uma extensão de seus domínios, uma filial de seus interesses, conforme deixou cinicamente claro o deputado Waldemar Costa Neto (SP), ao confirmar que despachava dentro do prédio ministerial.

Tem força política para barganhar com o governo: entre senadores e deputados, soma 46 votos, mas as alianças com legendas nanicas, pode elevar esse numero a 64 parlamentares.

Mas é uma força vulnerável a investigações mais consistentes. Elas devem continuar após as demissões e delas se valerá o governo para conduzir as negociações de forma mais impositiva.

É preciso ir além, porque há muito mais por aparecer. Se a cúpula estava comprometida no nível em que se descobriu agora, a estrutura certamente está contaminada.

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