DEM quer blindar Paulo Octávio

João Bosco Rabello

07 de dezembro de 2009 | 18h52

Está em curso uma articulação para blindar o vice-governador Paulo Octávio e brindá-lo com o posto de governador do Distrito Federal, com a renúncia do titular, José Roberto Arruda. Essa manobra conta com a tolerância do cidadão para com o mal menor, que seria Paulo Octávio, pelo simples fato de não ter aparecido em nenhum vídeo do Durval Barbosa.

O resultado dessa estratégia seria torturar o cidadão com dois processos de impeachment – o de Arruda e, na sequência, o de Paulo Octávio. Não é aceitável como saída política, avalizar a posse do vice a partir da tese de que o seu principal executivo, flagrado pelo vídeo de Durval Barbosa, não o representava ali, naquela circunstância. É preciso – e indispensável – que Paulo Octávio venha a público, de forma clara, afirmar que o seu executivo, Marcelo Carvalho, estava lá na sala de Durval Barbosa, por conta própria. E que o dinheiro que pegou de Durval nada tem a ver com seu patrão.

Parece mera formalidade, mas não é. Paulo Octávio tem que correr o risco de ser desmentido ou confirmado pelo seu subalterno. Afinal, Marcelo Carvalho é identificado com o vice-governador em qualquer esquina de Brasília. Se operou com Durval Barbosa, no esquema Arruda, por conta própria, isso tem que ser dito, com todas as letras, por Paulo Octávio. E confirmado por Carvalho.

É indispensável que o Ministério Público, com as provas que tem, dissocie a presença de Marcelo Carvalho na sala de Durval, da aprovação do Plano Diretor de Ordenamento Territorial (Pdot), essencial para os projetos  da Paulo Octávio Investimentos Imobiliários.

O DEM, mentor e avalista dessa estratégia, deve entender que corre o risco de trocar um  por dois: ou seja, pode ter uma dor de cabeça maior se achar que o vice de Arruda de nada sabia. Ao invés de ter um “abacaxi” para descascar, para ficar na definição do relator da expulsão de Arruda, ex-deputado Thomas Nonô, ter dois.

Collor jamais conseguiu afirmar publicamente que, depois de empossado na Presidência, deixou de ter vínculos com PC Farias. É o mesmo caso.

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