Decisão de Gurgel não elimina crise política

João Bosco Rabello

07 de junho de 2011 | 14h56

A decisão do Procurador-Geral Roberto Gurgel, de não investigar os negócios do ministro Antonio Palocci mantém a crise política se o governo adotá-la como peça de absolvição do chefe da Casa Civil.

É importante ressaltar que a decisão não absolve Palocci – apenas evita a investigação e, por isso, não afasta as suspeitas de tráfico de influência, a mais branda entre outras formuladas no meio político, como a de caixa dois da campanha.

O Ministério Público do DF tem investigação paralela, de natureza cível, à qual Gurgel se refere em seu texto pelo arquivamento, lembrando que decidiu apenas contra ação penal.

Na verdade, a decisão de Gurgel parece tratar menos do interesse do governo e da sociedade e mais de sua determinação de ser reconduzido ao cargo, o que depende exclusivamente da presidente Dilma Rousseff.

Um dos sinais de persistência da crise é que a bolsa de apostas sobre a sucessão na Casa Civil continua aberta em Brasília.  Muitos acreditam que a decisão da PGR pode dar a Dilma o tempo de que precisa para reestruturar a articulação política – tarefa mais difícil do que demitir Palocci.

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