Debates precisam mudar regras para aprofundar temas

João Bosco Rabello

06 de agosto de 2010 | 22h37

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Foto: Ernesto Rodrigues/AE

O debate da TV Bandeirantes sinalizou claramente para a necessidade de mudança em regras e conceitos.

Sem sorteio prévio de temas, por blocos, para que seja possível aos candidatos um mínimo de tempo para abordagem mais profunda de problemas específicos do País, irá prevalecer a má lógica da superficialidade, que premia os menos preparados e submete o espectador/eleitor a uma análise estrita da performance de cada um.

Em tal contexto, acontece o que se viu na Bandeirantes, tarde da noite: o franco-atirador, Plínio de Arruda Sampaio, virou a grande sensação, não pela seriedade como candidato, mas pela galhofa com a qual tratou o próprio debate, caricaturando os adversários e propondo o impossível, como a ocupação simultânea das cidades e do campo.

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“Eu sou o menos perguntado”, disse Plínio. Foto: Clayton de Souza/AE

Plínio, que se expôs todo o tempo como o candidato discriminado pelos demais, embora submetido às mesmas regras, mostrou nas suas intervenções que a injusta acusação aos colegas e entrevistadores fazia todo o sentido: ele não deveria mesmo ser levado a sério. Nem foi ali com esse objetivo.

Saiu como o ente folclórico de um debate cujas regras e formato impedem que se conheça as ideias de cada candidato.

Não obstante, resta a performance dos outros três. Nesse aspecto, a realidade confirmou as expectativas: Dilma mostrou-se insegura, Serra desenvolto, e Marina sem rumo, ora flertando com Dilma, ora com Plínio e ora com Serra.

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Candidatos se cumprimentam no estúdio. Foto: Clayton de Souza/AE

Nesse contexto, a realidade eleitoral leva o espectador a se fixar em dois candidatos: Serra e Dilma. O primeiro surpreendeu a adversária em dois momentos: quando a flagrou desinformada sobre o governo do qual participou – no erro do governo Lula em tirar recursos dos deficientes físicos -, e quando rechaçou definitivamente a tentativa de recorrer à desconstrução do governo Fernando Henrique para afirmar o de Lula. “Na platéia você (Dilma) tem o seu principal assessor, Antonio Palocci, que no Ministério da Fazenda elogiava Fernando Henrique todos os dias”.

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Foto: Clayton de Souza/AE

Serra esteve bem, mas não brilhante. Dilma conseguiu se superar sem o Lexotan que sugerira a seu oponente. Acabou bem avaliada por não ter uma performance desastrosa. Marina fez jus aos 8% que a mantém na campanha desde o início.

Em síntese, performances televisivas levam a um debate insatisfatório no conteúdo e conspiram para uma decisão baseada em superficialidades. O depoimento de um adolescente, de 16 anos, que assistiu a todo o debate resume ao que leva esse tipo de formato: “A Dilma é muito sem sal; o “coroa (Plínio) é sensacional; o Serra é sério demais, e a Marina parece uma filha de Maria”.

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