Debate econômico ainda não sensibiliza eleitor

João Bosco Rabello

17 de outubro de 2013 | 20h17

É muito improvável a assimilação, pelo eleitor médio, de termos presentes no debate  que se trava hoje em torno da economia brasileira. Especialistas preveem a predominância da economia na pauta da campanha eleitoral, mas ela só se dará com tal intensidade caso sua gestão atual produza um grau de deterioração capaz de fazer-se sentir no bolso do contribuinte.

Nesse caso, o problema poderá ser traduzido com facilidade para o cotidiano do eleitor, com evidentes prejuízos para a candidatura oficial. Seria o malogro do esforço de marketing até aqui crescente por parte do governo, indicando que o maior poder de fogo paga mais caro também quando o resultado é ruim. Essa, a esperança da oposição.

Não há torcida pelo pior, diz cada candidato. Mas a esperança de que fique visível para o cidadão logo, aquilo que será incontornável em 2015. Governo e oposição, portanto, jogam de olho no relógio: o primeiro, certo de que conseguirá manter a administração da inflação no teto da meta, mas de qualquer forma dentro dela, fazendo do debate econômico matéria de iniciados. A segunda,  recusando a acusação de torcer pelo pior, alegando que a notícia ruim chegará de qualquer forma – resta saber se ainda em 2014 ou somente no ano seguinte.

Ao trazer a gestão da economia para o debate, a ex-ministra Marina Silva visou público específico, o empresariado e o investidor de modo geral, ambos com influência que pode ser decisiva na eleição. É deles que dependem os investimentos que, se os tivesse, a presidente Dilma poderia já estar comemorando antecipadamente a vitória. Deles também tem origem uma parte da mobilização dos consumidores.

Expressões como tripé da economia, superávit primário, inflação dentro da meta, regime de câmbio flutuante, há de se convir, produzirão, se tanto, bocejos gerais. É uma discussão acadêmica que não chega às ruas. Nelas, a revolta está circunscrita à insatisfação com o que se recebe do governo nos planos da saúde, segurança e infraestrutura, principalmente, um conjunto que resume o que se tem por bem estar ou mal estar da população.

Nesse estágio da campanha, ainda bem inicial, é importante a abordagem de Marina Silva, primeiro porque poupa seu parceiro, Eduardo Campos, de assumir a crítica mais contundente ao governo do qual era aliado há bem pouco tempo. Porém, substancialmente, afina seu discurso e o de Marina para o empresariado, o chamado PIB brasileiro.

Como se sabe, uma das tarefas que exigirá de Marina Silva extremo apuro e empenho é o de desfazer a imagem de ambientalista xiita que impede o desenvolvimento pela obstrução que acaba promovendo com sua ação preservacionista. Por razões distintas, tanto ela quanto Dilma afastam os investidores por ideologizarem a economia – uma pelo intervencionismo sempre negado, mas na pauta diária do governo, a outra pelo radicalismo ambiental.

Da mesma forma é importante, na estratégia de Campos, que sua nova parceira ganhe os holofotes nesse momento. É decisivo para a transferência de votos, processo que começa desde já, e para tranquilizar o público interno de Marina, a Rede, ainda desconfiada quanto ao acerto da decisão de se filiar ao PSB. A pesquisa mais recente que demonstrou o crescimento do governador indica que o caminho está certo.

A polarização com Dilma, ainda que se encaixe no interesse do Planalto de ofuscar o PSDB, favorece o PSB, porque mantém o confronto entre as duas mulheres envolvidas na sucessão, ex-aliadas, e dá à crítica ao governo tom mais isento do que a que tem origem na oposição histórica. Marina e Campos são dissidentes, oposição com origem no governo, que não podem ser rotulados à direita do PT, no conveniente conceito ideológico que referencia no partido essas classificações.

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