De medos e esperanças

João Bosco Rabello

10 de setembro de 2014 | 15h04

Embora haja expectativa quanto à nova pesquisa Datafolha que deverá ser divulgada no final da tarde de hoje, parece definido que a presidente Dilma Rousseff tem um teto mínimo estabelecido, um eleitorado cristalizado que permanece fiel ao governo, só abalável se mais vazamentos da investigação sobre a Petrobrás, muito graves, vierem à tona.

Isso pode explicar a opção do candidato do PSDB, Aécio Neves, de aumentar o tom das críticas à ex-senadora Marina Silva, que ocupou o lugar que era seu na corrida sucessória, após as morte do ex-governador Eduardo Campos. O ambiente de corrupção no governo tem dinâmica própria.

A se considerar que Dilma chegou ao patamar mínimo, podendo oscilar apenas para cima, passa a ser decisivo agir para reduzir a diferença em relação a marina Silva, cujo apoio é de um eleitorado que aposta em seu nome como antídoto à “velha política” – um contingrnte, portanto, mais volúvel que o da candidata governista.

Dilma tem o mesmo objetivo de concentrar seus ataques à candidata do PSB, pois que os números autorizam a aposta de que Aécio Neves é candidato fora do páreo, a menos que o imponderável – que já se apresentou em roupa de gala nessa campanha – volte a campo de forma contundente.

As investidas contra Marina exibem, contudo, versões e tons diferentes. Enquanto Dilma Rousseff tenta mostrar supostas contradições da candidata socialista, contesta sua fórmula para levantar a economia e tenta vestí-la com o figurino da inexperiência, Aécio a classifica como um PT do B, explorando sua condição de dissidente do governo Lula.

É verdade que Marina teve seu avanço sustado, aparentemente pelas críticas que , somadas, põem em dúvida cua capacidade de governar, ou, pelo menos, de se diferenciar muito do PT, cujo gene preservaria em sua “alma política”. É no que investe Aécio Neves.

A questão que se põe hoje para o senador mineiro é que nenhum desses fatores negativos que atingem as candidaturas adversárias parece suficiente para reverter o movimento em direção à senadora e seu lugar de principal oponente do governo. Possívelmente, porque a esperança – ou ilusão, como quer o senador -, de que Marina salve a pátria, é maior que o medo de aposta no desconhecido.

De toda a forma, a hipótese de acordo com Marina para viabilizar a derrota do governo ainda no primeiro turno soa despropositada, dado que afetaria não só a campanha presidencial, mas representaria um golpe de morte no PSDB, arrastando junto alianças e candidaturas regionais estratégicas e vitais para a sua sobrevivência, ainda que como força partidária mediana.

Esta semana e a próxima são fartas em pesquisas que poderão oferecer um retrato mais atualizado do sentimento do eleitor, após as denúncias do ex-diretor da Petrobrás, Paulo Roberto Costa. Exceção para a de ontem, da CNT/MDA, feita antes dos vazamentos do depoimento de Costa sob regime da delação premiada, as que se seguem mostrarão se houve impcto significativo para a candidatura governista.

A oposição claramente transferiu para Brasília, esta semana, o palco de sua ação eleitoral, tentando fazer das denúncias de Costa combustível para fazer andar a CPMI da Petrobrás que se desenrola na Câmara.

É um movimento correto, já que a comissão parlamentar foi obstruída pelo governo por força de maioria no Legislativo, mas essa obstrução pode ficar insustentável politicamente diante de novos cenários que conferem legitimidade à investigação.

Ao mesmo tempo expõe a dura realidade do PSDB: a de que depende substancialmente de fatos explosivos para alimentar a esperança de reversão de um cenário eleitoral que se consolida diariamente contra o partido.

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