Crise coincide com avaliações ruins de governos petistas

João Bosco Rabello

26 Junho 2013 | 07h00

governador da Bahia Jaques Wagner – Foto: Estadão Conteúdo

A onda de manifestações que tomou as ruas do País coincide com um mau momento das administrações petistas. Internamente, a cúpula petista ainda não digeriu o tropeço do presidente Rui Falcão, que convocou a militância para se unir aos manifestantes nos protestos. Bandeiras vermelhas foram queimadas e militantes expulsos das passeatas.

No plano regional, o cenário também não é promissor. Os cinco governadores petistas estão mal avaliados, sem perspectivas de reeleição ou de fazerem o sucessor.

Na Bahia, o governador Jaques Wagner enfrenta altos índices de rejeição. Sem nomes competitivos no partido para fazer o sucessor, Wagner costura uma aliança com o PSD do ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab. A ideia é lançar o seu vice-governador, Otto Alencar (PSD) ao governo, reservando ao PT um lugar na chapa majoritária, de candidato a vice ou ao Senado.

Por sua vez, Wagner deve lançar-se candidato a deputado federal. Ele já atua, nos bastidores, como um dos articuladores da campanha à reeleição de Dilma. Para se movimentar com mais liberdade, planeja concorrer à Câmara federal, numa campanha que lhe exigirá menos esforço.

No Rio Grande do Sul, o governador Tarso Genro também chegou ao terceiro ano do mandato com baixa popularidade. Além disso, enfrenta a tradição gaúcha de não reeleger governantes, seja qual for o partido. Sem um nome competitivo para a sucessão de Genro, o PT pode acabar apoiando um candidato do PMDB, em nome da aliança nacional.

O aliado tem dois candidatos em potencial: o ex-governador Germano Rigotto e o prefeito de Caxias do Sul, Ivo Sartori. Mas no momento, quem lidera as pesquisas para governador é a senadora Ana Amélia (PP), que vem sendo cortejada pelo PSDB e pelo PSB de Eduardo Campos.

No Distrito Federal, o governador Agnelo Queiroz também enfrenta a baixa popularidade, com poucas chances de se reeleger. Um dos motivos são as críticas aos gastos com a reforma e ampliação do estádio Mané Garrincha, sede dos jogos das Copas do Mundo e das Confederações. Os gastos superaram R$ 1,4 bilhão, transformando-o na arena mais cara do País, superando até o Maracanã no Rio de Janeiro.

Agnelo ainda enfrenta desavenças dentro de casa. Desentendeu-se com seu vice-governador, Tadeu Filippelli, do PMDB, que já costura a candidatura própria à sucessão do titular em 2014.

O governador de Sergipe, Marcelo Déda – um quadro histórico do PT – também enfrenta dificuldades para fazer o sucessor. Déda sofre desgaste após dois mandatos consecutivos, ao mesmo tempo em que luta contra um câncer no estômago.

Nos últimos meses, ele travou um embate com a Assembleia Legislativa para aprovar um plano de investimentos que previa empréstimos de R$ 560 milhões junto ao BNDES e à Caixa Econômica Federal.

Após uma primeira rejeição, os empréstimos foram aprovados em maio, com valores menores que o inicialmente previsto.

Sem nomes fortes para a sucessão de Déda, o PT esboça um acordo com o PMDB para apoiar a candidatura do vice-governador, Jackson Barreto. Mas quem lidera as intenções de votos para o governo de Sergipe é o senador Eduardo Amorim, do PSC – que pode eleger o seu primeiro governador em 2014.

Por fim, no Acre, os irmãos Tião Viana (governador) e Jorge Viana (senador) enfrentam o desgaste de mais de 20 anos revezando-se no comando do Estado. Além disso, há dois meses, Tião Viana viu-se envolvido na operação G7 da Polícia Federal.

A operação desmantelou um esquema de fraudes em licitações no Estado.  Dos 15 presos, destaca-se o sobrinho do governador – Tiago Paiva, funcionário da secretária de Saúde.