Corregedoria abre sindicância para apurar campanha do Ministério Público sobre consumo de carne

Corregedoria abre sindicância para apurar campanha do Ministério Público sobre consumo de carne

João Bosco Rabello

05 de agosto de 2010 | 01h59

kabreu

Disposição dos produtores, através da CNA, é a de investigar por quem campanha foi estimulada. Foto: Pablo Valadares/AE

A Corregedoria do Ministério Público abriu sindicância para apurar o envolvimento da instituição na produção de vídeos de uma campanha pela conscientização do consumo da carne brasileira.

Intitulada “Carne Legal” e composta de três vídeos, de trinta segundos cada um, a campanha vincula a carne nacional a fazendas ilegais, desmatamento, trabalho escravo e lavagem de dinheiro e foi contestada judicialmente pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA), além de incomodar o próprio governo federal, que a viu como uma peça contrária aos interesses comerciais do Brasil.

Em recente passagem pelos fóruns de negociação da União Européia, autoridades brasileiras constataram que a campanha acrescentou mais um pretexto protecionista contra o Brasil no continente europeu, onde os índices de exportação caíram 85% em 2009.

Além disso, a campanha teve seu custo, de R$ 349 mil, bancado pela Fundação Padre Anchieta, que mantém contrato com o Ministério Público Federal de prestação de serviços audiovisuais para veiculação na TV Justiça. Os recursos foram desviados para outra finalidade.

O kit completo é composto dos três vídeos, um documentário de 30 minutos, no valor de R$ 114 mil, mais 200 mil folhetos explicativos, no valor de R$ 24 mil, e mil adesivos, no valor de R$ 2,2 mil.

Em ofício enviado ontem à presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), senadora Kátia Abreu (DEM-TO), a corregedora-geral, Ela Wiecko de Castilho, informa a abertura de sindicância para apurar a iniciativa e autorização da campanha pelo sub-procurador-geral Eugênio Aragão, e pelos procuradores Carlos Frederico Santos, Daniel César Azeredo Avelino e Alan Rogério Mansur Silva.

A disposição dos produtores, através da CNA, é a de investigar se a campanha foi estimulada por ONGs ou entidades representativas de segmentos do comércio internacional concorrentes do Brasil.

“Vamos às últimas consequências nesse caso, porque essa iniciativa do MP é estranha”, disse a senadora Kátia Abreu.

Nesse contexto, ela não descarta a convocação dos procuradores, ou de um deles, para depoimento no Congresso.

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