Congresso vai ser palanque

João Bosco Rabello

06 de janeiro de 2010 | 17h29

Dificilmente o governo conseguirá votar os projetos do pré-sal em 2010,  mas poderá lucrar eleitoralmente com o debate do tema no primeiro semestre, único período de efetivo trabalho legislativo nesse ano.

A campanha eleitoral oficialmente começa no segundo semestre, mas contaminará os trabalhos do Congresso que, a rigor, só funcionará de março a julho. Volta em novembro e dezembro para votar o orçamento, mas aí já haverá um presidente eleito.

Trunfo maior da campanha de Dilma, fator de sedução do discurso nacionalista já lançado pelo presidente Lula, o pré-sal vale mais eleitoralmente não votado, porque mantém a oposição refém de um debate que até aqui a desfavoreceu.

O PSDB parece ter-se apercebido disso e começa a tentar dificultar o trabalho do governo no âmbito do discurso e não da causa. Cobra a liberalização do FGTS para compra de ações da Petrobrás, como foi feito no governo FHC.

Puxa o debate para um aspecto que valorizou quando gestor da Petrobrás,  oferecendo um contraponto ao mantra da privatização da qual o PT o acusa diariamente.

O jogo é o debate, porque mesmo  aprovados pela Câmara, os quatro projetos do pré-sal seguirão para o Senado, onde  serão novamente debatidos e alterados. Com isso, retornarão à Câmara para nova votação.

Assim, o Congresso será inevitavelmente o primeiro palanque de 2010.

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