Como “independente”, PR concorrerá com PSD

João Bosco Rabello

21 de julho de 2011 | 17h01

Sair da base aliada e adotar postura “independente”, como anuncia o PR em retaliação à faxina promovida pelo governo na área dos Transportes, quer dizer… nada.

Não é rompimento, nem é uma virada para a oposição. Se na própria oposição se ouve lamentos entre quatro paredes de como é dura a vida fora do poder, avalie se quem está no poder quer sair.

Muito menos a turma que tem na política um balcão de negócios como é o caso do deputado Valdemar Costa Neto.

Postura independente no Brasil é aquela que um partido adota quando não quer deixar o governo, mas também precisa pressioná-lo para rediscutir a relação.

O problema é que o poder de barganha do PR é ínfimo e se resume àquilo que ele possa denunciar para colocar o resto da base aliada no mesmo barco em que o partido é náufrago.

Numericamente o governo sobra na Câmara e para esse espaço independente conta ainda com o recém-nascido PSD do prefeito paulistano Gilberto Kassab, que enxergou antes do PR o conforto de não ser nem à direita, nem ao centro e nem à esquerda.

E que havia espaço para esse PMDB alternativo que forma hoje uma bancada de, no mínimo, 40 parlamentares, mesmo tamanho do PR. Só no Rio, estima-se que o partido de Kassab terá nove deputados estaduais e oito federais, estimulados à infidelidade pelo próprio PMDB.

“No Rio, o PMDB está com overbooking”, dá a medida um peemedebista.

Em que pesem as denúncias e ações formais do DEM para tentar impedir que o PSD concorra em 2012, a realidade política é mais forte.

Assinaturas falsas são comuns a todos os processos do gênero em que se depende de milhões de adesões formais e se a soma final não depender delas, a correção estará feita.

Um filtro rigoroso resolve o problema e o PSD, hoje sublegenda de quase todos os governadores, apoiado por PMDB, PT e governo, não deverá ter dificuldades para cumprir as formalidades da legislação eleitoral.

O problema maior da presidente Dilma Rousseff não são as ameaças do PR, mas a capacidade de sustentar o padrão de tolerância zero que implantou ao intervir no ministério dos Transportes.

Como a corrupção não é exclusividade da Pasta onde Valdemar Costa Neto fazia a festa, presume-se que a presidente não poderá ter critérios diferentes quando chegar a vez de mexer em outros feudos da sua base de sustentação.

Enquanto a bandeira súbita do combate à corrupção lhe render apoio na classe média poderá impor o método do rito sumário aos flagrados em licenciosidades com o dinheiro público.

O desafio é exatamente o de garantir longevidade a essa aprovação indicada hoje pelas pesquisas. Ela depende da combinação de uma economia estável e uma gestão de resultados em áreas sensíveis como segurança, infraestrutura e saúde.

O cenário externo e um ministério de baixa qualidade, aquém desse desafio, são ameaças na rota presidencial.

No primeiro caso, o governo pode apenas fazer o dever de casa, como tem feito, e torcer para que o imponderável não se apresente. No segundo caso, só com uma reforma ministerial que já se desenha a conta-gotas.

E que não se consumará sem vítimas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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