Com apoio majoritário, MP que flexibiliza licitação pode marcar estréia positiva da nova articulação

João Bosco Rabello

14 de junho de 2011 | 12h07

O governo atravessou um vendaval, mas o mau tempo permanece. Mudaram os timoneiros o que equivaleu a trocar a crise por uma expectativa.

O tempo de manobra das novas responsáveis pela missão de mudar a rota é pequeno, pois os testes, materializados nas votações iminentes de medidas provisórias importantes, já estão na pauta.

Há no conjunto de votações que aguardam a nova ministra da articulação, Ideli Salvati, as que o governo terá mais facilidade para unir sua base e as que exigirão jogo de cintura.

Na pauta de amanhã está uma MP que se insere no primeiro grupo:  a 527, que trata de novas regras para a aviação civil e da flexibilização da legislação licitatória com vistas às obras e serviços indispensáveis ao êxito do Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014.

Ainda que possa exercer seu poder de chantagem sobre o governo, a dissidência de sua  base aliada tem o limite do interesse comum: a ninguém beneficia a perspectiva de fracasso do país como anfitrião do maior torneio mundial – e o que mais interesse desperta em todo o mundo.

E, para além do interesse patriótico, existe a pressão dos segmentos de serviços e da construção civil, grandes beneficiários dos dividendos econômicos do maior evento esportivo mundial.

No limite, empreiteiras e empresas de serviços , financiadoras históricas de peso decisivo nas campanhas eleitorais, pressionarão os parlamentares pelo abrandamento e simplificação da lei 8.666, que trata das licitações, indiscutível obstáculo ao cumprimento dos prazos já parcialmente comprometidos das obras da Copa.

É, pois, um teste da qual pode muito se valer a nova ministra para marcar sua estréia na função de negociadora – ela que fixou sua imagem de Junior Baiano da defesa do governo Lula e que agora terá de jogar um futebol requintado como o de um Ganso.

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