Centralização do Enem é estímulo permanente à fraude

João Bosco Rabello

28 de janeiro de 2011 | 11h57

O presidente da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação (CNE), Paulo Speller, propôs ao ministério da Educação que o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) seja regionalizado, com a participação das universidades federais na coordenação da prova.

A simultaneidade do modelo em vigor tem sido o principal foco dos sucessivos problemas enfrentados pelo governo e o principal fator de desgaste do ministro Fernando Hadadd.

Ele sugeriu a mudança à nova presidente do Inep, Malvina Tuttman, a quem disse que as universidades federais também poderiam assumir tarefas, sob supervisão do MEC, na organização do exame.

“As universidades federais podem dar grande contribuição se feita a descentralização”, disse. 

Ele não é o primeiro – e, dada a resistência do MEC,  provavelmente não será o último a insistir na mudança.

Contra o modelo atual já há parecer até do Tribunal de Contas da União (TCU), que considera inviável uma prova seletiva simultânea para 3,5 milhões de estudantes que lutam  por uma vaga gratuita nas universidades federais.

A insistência do ministro Haddad no modelo atual já se tornou, mais que teimosia, prova de coragem. Segundo um ministro do TCU o sistema só poderia ter chance de dar certo se o exame fosse de avaliação.

Prova seletiva para bolsa, num universo amplo como o brasileiro, estimulará sempre a fraude.

Além disso, especialistas acreditam que o envolvimento das universidades é salutar por sua relação direta com o corpo de estudantes.

Não existe esse modelo em parte alguma no contexto de uma prova de seleção. Mas, apesar do desgaste que começa a pôr em risco seu mandato à frente do MEC, por ora não há sinal de que Haddad ceda às ponderações pela mudança.

A esperança dos que defendem a regionalização repousa agora na face gestora da presidente Dilma Rousseff que pode concluir pela inviabilidade operacional do modelo.

Há três possibilidades para uma operação desse porte: ser viável e ruim; boa e inviável; e inviável e ruim. Haddad se encaixa na última. “Em dez exames ele pode ter a sorte de acertar um”, comenta um ministro.

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