Candidato apoiado pelo PMDB no Amapá foi nomeado por ato secreto em 2007

Candidato apoiado pelo PMDB no Amapá foi nomeado por ato secreto em 2007

João Bosco Rabello

11 Maio 2010 | 08h00

O presidente do Senado, José Sarney (AP), segue no malabarismo político que o obriga a duas campanhas: a do Amapá e a do Maranhão. No Amapá, ele articula uma aliança entre PTB e PMDB, da qual deve emergir como candidato ao governo o ex-deputado Luiz Cantuária Barreto (PTB).

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Barreto (E) é candidato em aliança com Gilvam Borges (C) e apoio de Sarney (D). Fotos: AL-AP, ABr e Joedson Alves/AE

Que vem a ser o mesmo Lucas Barreto, nomeado por um dos mais de 600 atos secretos, para o Conselho Editorial do Senado, entre 2007 e 2008, com salário de R$ 7 mil. Nessa época, sustentado pelo Senado, fazia sua campanha a prefeito de Macapá, mas foi o terceiro colocado.

Na ocasião, ao se defender, Sarney disse não conhecer Luiz Cantuária Barreto, que constava como funcionário do Senado, nomeado por  ato secreto.

Depois divulgou nota oficial explicando que o conhecia como Lucas Barreto e, por isso, negara vínculo com o nomeado.

Mas, desfeita a confusão, tudo ficou por isso mesmo. Lucas ou Luiz Cantuária, que são a mesma pessoa, foi nomeado por ato secreto e não se falou mais nisso.

Agora, ele é candidato com apoio de Sarney, numa aliança com Gilvam Borges, que tenta a reeleição  ao Senado.

“Praticamente as coisas estão encaminhadas nesse sentido”, disse Gilvam numa entrevista a uma rádio local.

No Senado, Gilvam integrou a  tropa de choque de Sarney quando este se viu às voltas com o Conselho de Ética em função do escândalo dos atos secretos.

Sarney tenta uma chapa forte no Amapá para impedir a eleição de João Capiberibe, ex-senador cassado sob acusação de compra de votos, cuja vaga foi ocupada por Gilvam, segundo colocado nas eleições de 2002.

No Maranhão, Sarney enfrenta a oposição do PT a uma aliança que dê a Dilma Rousseff palanque único com a candidata do PMDB, Roseana Sarney.

O PT estadual prefere o candidato do PC do B, Flávio Dino, contra a vontade do presidente Lula.

Dino, terceiro colocado nas pesquisas, já tem um acordo com o segundo, Jackson Lago (PDT),  de um a aliança no segundo turno contra Roseana.

A oposição a Roseana explora, nesse momento, o indiciamento de Fernando Sarney, pela Polícia federal, sob acusação de evasão de divisas.

A PF apurou que Fernando remeteu U$ 1 milhão para a China , numa operação não declarada à Receita.

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