Campos põe projeto presidencial acima de São Paulo

João Bosco Rabello

16 Janeiro 2014 | 17h15

A declaração do governador Eduardo Campos de que o PSB se orienta prioritariamente pela disputa presidencial é um indicativo  de que ele não hesitará em sacrificar parcerias regionais em favor do projeto maior de chegar à presidência da República.

O que inclui como possibilidade de imolação o casamento com o PSDB em São Paulo, já com razoável longevidade.

Até aqui restrito a ambientes sem testemunhas, o diálogo do governador com o senador Aécio Neves (PSDB-MG) abriu uma brecha na privacidade para se desenvolver pelos jornais, desde que o PSB sinalizou para a possibilidade de não apoiar o governador tucano Geraldo Alckmin, na sua tentativa de reeleição em São Paulo.

Ambos falam para seus públicos internos, daí a opção pelo tratamento público do caso específico paulista, o que indica também que não há decisão tomada.

A declaração de Campos tem o estilo mineiro de fazer política, pois permite interpretações distintas, conforme o desejo do freguês.

Ao integrante do PSB contrário ao rompimento com Alckmin pode ocorrer a leitura de que a preservação da aliança com os tucanos é benéfica para o projeto presidencial de Campos.

Da mesma forma, à Rede é autorizado interpretar a frase do pernambucano como reafirmação da influência de Marina proporcional ao seu peso eleitoral na chapa à Presidência.

O governador, enquanto isso, ganha tempo para ver como pode obter o melhor desfecho para a circunstância.

Desde o início da discussão, um fato já reduziu o impacto da decisão de  Marina: sua indicada, a deputada Luiza Erundina,  disse que não quer disputar o governo estadual e firmou-se na meta de buscar a reeleição à Câmara.

As alternativas a ela são menos competitivas, o que dá argumento à corrente do PSB contrária ao rompimento com Alckmin para contestar a reivindicação da ex-senadora.

O tempo, pois, agiu em favor da aliança com Alckmin, o que mostra a importância de administrá-lo, como doutrinava sempre o ex-deputado Ulysses Guimarães.

Há outras variáveis atuando como é próprio da dinâmica política. No Rio, o PSDB passa a considerar a possibilidade de apoiar o candidato do PMDB, diante da recusa do treinador de vôlei, Bernardinho, convidado para encarnar a candidatura própria dos tucanos no Estado.

Em Pernambuco, o PSDB já está no governo de Campos, o que deve levar a uma recíproca em Minas, restando a Marina insistir em São Paulo e Paraná.

Nada está descartado, pois o jogo está no primeiro tempo. O mau humor do PMDB com o governo tem nome – PT – e tem origem na disputa que ambos travam pela capilaridade nacional, que abrange posições estaduais e municipais.

O partido, longe de romper com Dilma, sinaliza para um comportamento regional distanciado da aliança nacional, por isso briga agora por ministérios, pois eles influem no processo eleitoral.

Essa é outra variável que PSDB e PSB acompanham e que podem determinar ajustes regionais que facilitem o entendimento de Aécio e Campos com  seus públicos internos.