Campanha do MP pela “carne legal” ajuda protecionismo europeu contra o Brasil

João Bosco Rabello

02 de agosto de 2010 | 18h38

O governo federal prepara uma campanha em favor da carne brasileira, depois de constatar que os vídeos divulgados pelo Ministério Público Federal (MPF) sobre a campanha “Carne Legal”, estão sendo utilizados como instrumento protecionista pelos governos europeus, durante as negociações com autoridades comerciais brasileiras.

Lançada com o objetivo oficial de conscientizar a população sobre o consumo de produtos de origem bovina, a campanha é polêmica e foi questionada judicialmente pelos produtores, através da Confederação Nacional da Agricultura (CNA).

As imagens vinculam a carne nacional a fazendas ilegais, desmatamento, trabalho escravo e lavagem de dinheiro e, na avaliação dos ministérios do Desenvolvimento e Comércio, e da Agricultura, prestaram um desserviço ao comércio do país.

A menção aos vídeos ocorre no contexto do esforço do governo brasileiro de recuperar os índices de exportação para o mercado europeu, que despencaram, em 2009, em 85%. Embora mantenha a liderança mundial na exportação de carne, o País quer resgatar o cenário anterior à crise internacional que agravou o sentimento protecionista.

Os três vídeos que compõem a peça publicitária têm 30 segundos cada, com versões para rádio, que custaram R$ 208 mil, segundo o site Contas Abertas.

Eles foram elaborados pela Fundação Padre Anchieta, que mantém contrato com o Ministério Público Federal para prestação de serviços audiovisuais para veiculação na TV Justiça.

Há ainda um documentário de 30 minutos, no valor de R$ 114 mil, também da Fundação Padre Anchieta, mais 200 mil folhetos explicativos para o consumidor, no valor de R$ 24 mil, e mil adesivos, no valor de R$ 2,2 mil. O total da campanha é de R$ 349.725,20, que a CNA pede na Justiça seja devolvido pelos procuradores responsáveis.

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