Câmara distrital prepara eleição indireta de governador-tampão em meio a farra de cargos

Câmara distrital prepara eleição indireta de governador-tampão em meio a farra de cargos

João Bosco Rabello

26 de março de 2010 | 07h00

prudente

Deputado Milton Barbosa (E), irmão de Durval Barbosa, abriu o jogo e revelou a partilha de 270 cargos.

Foto: Arquivo/AE

Enquanto tramam para eleger pela via indireta um governador-tampão que os salve da intervenção, os deputados distritais de Brasília disputam o espólio de cargos dos colegas cassados, Leonardo Prudente e Junior Brunelli.

O exercício de rapina é suprapartidário e envolve parte de 270 cargos comissionados a que têm direito “por fora”, além daqueles que são previstos pela legislação em vigor.

“Por dentro” cada um dos 24 distritais já dispõe de 23 vagas por gabinete e mais 4 outras de funcionários que podem ser requisitados a outros órgãos.

Um total de 27 funcionários pagos com uma verba de R$ 97,6 mil – R$ 37 mil a mais que a destinada a um deputado federal.

Fechada essa conta, abre-se outra, que pode dar a cada deputado mais 8 cargos dentre os 270 que integram a estrutura da Câmara. Postos cobiçados que variam entre R$ 2 e R$ 12 mil.

Eles são preenchidos por amigos, afilhados políticos e cabos eleitorais que trabalharam nas campanhas.

O que está em disputa agora são os 16 cargos “pertencentes” aos deputados Leonardo Prudente e Junior Brunelli, que renunciaram após aparecerem nos vídeos de Durval Barbosa enchendo-se de maços de dinheiro.

Ao ver seu nome numa lista apreendida pela Polícia Federal na casa de Leonardo Prudente, com um valor de R$ 12 mil ao lado, o deputado Milton Barbosa (PSDB), irmão de Durval Barbosa, abriu o jogo e revelou a partilha dos 270 cargos.

Como membro da Mesa Diretora (ele é terceiro-secretário), Milton Barbosa tem direito a fatia maior que o deputado comum. Ele próprio declarou que dispõe de R$ 128,9 mil para preencher 15 dos 270 cargos.

Somando tudo – seu salário , as verbas indenizatória e de gabinete e os cargos que ainda preenche na estrutura da Câmara -, Barbosa custa ao erário R$ 371,7 mil por mês. Ao ano, R$ 4,485 milhões.

Segundo o tucano, seu correligionário, Raimundo Ribeiro, que é Segundo-Secretário da Mesa, controlara cargos extras no valor de R$ 109 mil.

Ainda segundo Barbosa, a cota do Primeiro-Secretário, Batista das Cooperativas, que notificou pessoalmente Arruda da abertura de processo de impeachment, é de R$ 99 mil.

Sem cargos na Mesa, os deputados Roney Nemer e Eliana Pedrosa têm direito a vagas extras no valor total de R$ 67 mil e R$ 66 mil, respectivamente.

O deputado Raad Massouh (DEM), suplente que assumiu a vaga do ex-presidente Leonardo Prudente, elegeu-se presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no último dia 17.

Mas está a ver navios, porque seus nobres pares estão loteando o espólio de Prudente e Brunelli na base de dois para cada um.

Quase todos envolvidos até o pescoço no mensalão do governo Arruda, os nobres parlamentares sustentam que a intervenção federal seria um golpe.

Conhecidos esses números, não há dúvida: é um duro golpe nos negócios de suas excelências.