Caixa Dois

Caixa Dois

João Bosco Rabello

04 de dezembro de 2009 | 06h53

Uma planilha com registro de 41 empresas abordadas pelos operadores da campanha de José Roberto Arruda (DEM-DF), com valor total de R$ 11 milhões, é o primeiro documento fora do inquérito da Polícia Federal indicando caixa dois na eleição passada. O documento foi elaborado pelo ex-secretário de Obras, Márcio Machado, que reconheceu sua autoria ao jornal O Estado de S.Paulo.

Mantida em sigilo até hoje, a planilha tem indicações de pagamento de altas quantias doadas que não aparecem na prestação de contas do governador. Ao lado de 12 empresas aparece a sigla PG, indicativa de pagamento feito. De um total de 20 construtoras, pelo menos nove delas fecharam contrato com o governo que tomou posse em 2007. Na edição de hoje do Estadão, o repórter Leandro Colon, detalha esses valores e conta essa história ainda desconhecida da campanha de Arruda.

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Planilha indica altas quantias doadas que não aparecem na prestação de contas de Arruda. Foto: Reprodução

Machado, nome do PSDB no governo local do DEM, construiu uma versão improvável para explicar o documento: disse que os valores ainda seriam solicitados às empresas por ele listadas. O problema é que os valores são quebrados, o que desacredita sua explicação. O Grupo Olival, por exemplo, aparece como doador de R$ 277 mil. A Unifarma, tem ao lado de seu nome, a cifra de R$ 1,7 milhão.

Além disso, Machado anotava ao lado de alguns valores o quanto tinha realmente recebido. Por exemplo, a Delta Engenharia aparece como doadora de R$ 250 mil, mas teria pago apenas R$ 200, pois ao lado o autor da planilha escreve “-R$ 50”. O valor acertado e o recebido.

Das 41 empresas listadas na planilha, conta Leandro, apenas duas aparecem na prestação de contas de Arruda, mas com valores divergentes. Na planilha, ela teria doado R$ 650 mil, mas na Justiça Eleitoral aparecem R$ 260 mil.

Depois dos nomes de empresas e respectivos valores aparecem um quadro de Receita e Despesa e uma relação de nomes destinatários desse dinheiro, cada qual com a parte que lhe cabe ao lado. Esses nomes podem ser de fornecedores que efetivamente produziram para a campanha, mas a forma de arrecadação e de pagamento é notoriamente informal.

O mais interessante da história: Machado esqueceu esse documento em janeiro de 2007, dois meses após a campanha, numa emissora de TV, onde dera entrevista para falar dos planos de sua secretaria.

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