Cabral perde capital político com sucessão de erros na véspera da eleição

João Bosco Rabello

25 de junho de 2011 | 18h04

Em menos de um  mês, o governador do Rio, Sérgio Cabral, protagonizou dois episódios capazes de abalar o capital político construído nos anos de parceria incondicional com o governo do ex-presidente Lula.

O destempero que, aqui e ali, teima em conspirar contra a imagem do governador descolado que procura exibir, tem comprometido a gestão de Cabral, desde a tragédia de Angra dos Reis, passando pela ofensa dirigida a um favelado que cobrava mais ação social de seu governo, durante uma visita do então presidente Lula ao Rio, e desembocando na crise dos bombeiros.

Crise, aliás, que ganhou dimensão, com potencial para se alastrar pelo país, por imprevidência de um  governo que dela já tinha conhecimento e, mesmo assim, a negligenciou.

Cabral deu a ordem inédita de prisão para mais de 400 bombeiros, que produziu estragos na popularidade obtida com a pacificação das favelas cariocas gerando uma solidariedade imediata da população à categoria.

 O que leva um governador a tal agressividade contra a categoria mais querida, tida pela sociedade como a  verdadeira defesa civil, fazendo preceder a prisão de insultos públicos aos soldados grevistas?

Não se sabe, mas enquanto isso acontece, o Secretário de Segurança do Rio, José Maria Beltrame, artífice da operação de reocupação territorial dos morros pelo Estado, pelo afugentamento do tráfico e pela instalação das UPPs nas favelas, dá sinais de preocupação com a permanência de seu trabalho.

Beltrame chama a atenção para a necessidade de complementar a ação policial com um programa social capaz de sedimentar as bases de uma nova realidade nas áreas até há pouco conflagradas da cidade.

Chama a atenção do governo, porque só a ele cabe a responsabilidade pela extensão desse trabalho. Sem isso, adverte o Secretário, será muito difícil sustentar a conquista que conferiu a Cabral índices estupendos de aprovação.

Logo após o aviso do Secretário de Segurança, uma tragédia com sete mortos, entre as quais, a nora do governador, vítimas da queda de um helicóptero no sul da Bahia, descobre o véu de uma relação intensa e promíscua entre o governador e empresários com negócios prósperos em seu governo.

Um flagrante de invasão da fronteira entre público e privado, com jatinhos de empresários a serviço do governador para levá-lo a festas privadas sem qualquer vínculo com o interesse público.

Este, por sinal, afetado pelo vínculo de amizade entre governador e empresários, um dos quais, Fernando Cavendish, detém contratos milionários com a administração fluminense, cuja parcela sem licitação somou R$ 127 milhões em 2010.

Com ares de órfão do governo do ex-presidente Lula, o governador vai consumindo um capital de popularidade em velocidade espantosa, às vésperas de uma campanha municipal decisiva para a preservação de uma aliança entre governo e prefeitura até aqui positiva para o Rio de Janeiro.

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