Cabral ameaça abrir palanque a adversários se PT lançar candidato no Rio

Andrea Vianna

22 de maio de 2013 | 21h16

Governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB) – Foto: Nilton Fukuda / AE

No jantar oferecido aos governadores do PMDB, na noite dessa terça-feira no Palácio do Jaburu – residência oficial do vice-presidente Michel Temer – os mandatários do principal aliado da presidente Dilma Rousseff reclamaram da relação com o PT nos Estados. Ficou claro que o maior problema na reedição desta aliança é o Rio de Janeiro – terceiro maior colégio eleitoral do País. E entre os três maiores colégios, o único governado pela base aliada.

Num desabafo testemunhado pelos participantes do jantar, o governador do Rio, Sérgio Cabral afirmou que se o PT lançar candidato ao governo no Estado, ele poderá abrir o palanque do PMDB aos adversários de Dilma Rousseff. O PT do Rio de Janeiro ensaia lançar a candidatura do senador Lindbergh Farias ao Palácio da Guanabara.

“Se ela (Dilma) pode ir de manhã a um palanque e de tarde a outro, eu também tenho o direito de abrir o palanque do PMDB a um (candidato) de manhã, outro de tarde e outro de noite”, avisou, segundo relatos de participantes do evento.

A montagem do palanque no Rio de Janeiro é a mais difícil nas costuras para reedição da aliança nacional. Os aliados de Cabral ponderam que dos três maiores colégios eleitorais – os outros dois são Minas Gerais e São Paulo – o Rio é o único governado pela base aliada.

Por isso, a montagem de um palanque duplo no Estado arruinaria o discurso de “governo de parceria” e confundiria o eleitor. Durante o jantar, Cabral também lembrou a amizade com o ex-presidente Lula, cobrando lealdade do petista. Teria observado que, assim como Lula, ele, Cabral, também teria o direito de fazer o seu sucessor. O candidato do PMDB à sucessão de Cabral é o seu vice-governador, Luiz Fernando Pezão.

Desabafos

Em linhas gerais, foi um jantar de desabafos impropérios dirigidos ao PT.

Outro palanque conturbado entre PT e PMDB é o do Maranhão. Segundo relatos, a governadora Roseana Sarney também desfiou um rosário de reclamações dos petistas.

Roseana afirmou que embora o seu vice-governador seja do PT, o partido tem feito dura oposição a ela no Estado e até no plano nacional. No Maranhão, o PT costura uma aliança com o ex-deputado Flávio Dino (PCdoB), que lidera as intenções de voto ao governo. Dino é adversário figadal dos Sarney, que não perdoam a sua nomeação, pela presidente Dilma, para a presidência da Embratur.

O comando da estatal é um dos principais cargos no Ministério do Turismo, confiado ao deputado Gastão Vieira (PMDB-MA) – aliado dos Sarney. Desde o início do governo Dilma, a presidência da Embratur foi prometida ao PCdoB, que indicou Dino para a vaga. Mas a nomeação dele foi adiada durante meses, atribuindo-se o embargo aos Sarney.

Outro governador que tem no PT um adversário histórico é o do Mato Grosso do Sul, André Puccinelli. No jantar, ele avisou que o palanque do PMDB no Estado será do “vice-presidente, Michel Temer”, numa afirmação indireta de que não pedirá votos para o PT. No Estado, o senador petista Delcídio Amaral lidera as intenções de voto para a sucessão de Puccinelli, em aliança com o PSD.

 

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